sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O ENCILHAMENTO

Embora o tema, o título e subtítulo tendam afastar o leitor comum (os não familiarizados com os meandros da economia e as especulações da bolsa), eu diria que um livro fundamental. 

Principalmente para esse leitor,  e se se aventurar ainda ganhará  boas informações sobre o país, e o povo que nela vive. Sem esquecer que terá um novo olhar para o mercado de capitais.

Taunay nos brinda com diversos trechos extremamente divertidos, outros com uma ironia ácida, e outros ainda com pura acidez. 

Não podemos esquecer que trata-se de um romance à clef. Onde o próprio autor é um dos personagens. Conta-se que Taunay foi uma das vítimas do encilhamento.

Lido por indicação de Gustavo Franco.
Grifos:
"Tudo isso não passa de bagaceira, interrompeu um gaiato"  

"Os tempos não estavam mais para graças." 

"O senhor tinha em mão uma garoupa... soltou-a supondo que fosse uma sardinha."

"Era o boato que ia fazer tudo, a possante arma do momento."

Título:  O encilhamento: cenas contemporâneas da bolsa do Rio de Janeiro (1890, 1891, 1892
Autor:  Vicsconde de Taunay  
Editora:  Itatiaia 
Páginas: 247
Leitura:   26/09 a 10/11/2017
Sinopse:   O Encilhamento é um romance de primeira ordem, com intrigam mistura de elemento paisagístico e de análise psicológica numa língua deliciosa, a que não faltam palavras de gíria de época e de gírias que permaneceram.
Nascido na transição do realismo para o simbolismo, Taunay contraponteia magnificamente um romance de amor com as cenas de desvario das ruas, ou com reuniões galantes e elegantes, onde se desenrolavam os episódios do encilhamento.
Há caricaturas esplêndidas. Aquelas personagens existiram mesmo, e os estudiosos têm dificuldades em identificar figuras dos fins do Império e do início da República.
Crises econômico-finaceiras foram exploradas com graça.
Na segunda edição, aparece O Encilhamento afirmando o nome do verdadeiro autor.
Publicado em folhetins da "Gazeta de Notícias", do Rio de Janeiro, em 1893, teve então o melhor acolhimento do público fluminense. Pouco depois a Livraria Magalhães editou-o em volume, conservando, contudo, o criptônimo do folhetinista: Heitor Malheiros.
Novela vivaz, interessante, variada, repleta de documentos humanos, a historiar uma série de episódios pitorescos e curiosos, aspectos característicos da vergonha da época, como aquela que, no Rio de Janeiro, determinara a inflação papelista, exagerada, em 1890.
De perto observou o romancista estas cenas deprimentes de pilhagem e desvairamento, a que veio por cobro à reação florianista, após o 23 de novembro.
Foi uma das inúmeras vítimas do tremendo craque de 1891 - 1892 que arrasou as grandes e velhas instituições financeiras fluminenses, essas cujos títulos desde muito eram para o público, valores de inteira confiança quase tão reputados pela solidez quanto os papéis de estado, como o antigo Banco do Brasil, por exemplo. Daí o conhecimento de causa do autor em descrever os cambalachos, negociatas e tranquibérnias dos grandes e insaciáveis piratas bolsistas e sua sequela de devoradores da economia pública e particular.

domingo, 24 de setembro de 2017

SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?


Raramente me chega às mãos um livro como esse que eu REALMENTE (e eu não estou gritando, apenas tentando ser enfática) gostaria de dizer a toda gente leia, leia, leia! Que eu creio que deveria fazer parte do acervo das bibliotecas, ser indicado nas escolas, discutido nos diversos grupos de leitura espalhados pelo país, e ter sua leitura compartilhada entre amigos leitores. 

Sou uma leitora dada a apaixonar-me por livros esquecidos (foi assim com o A indesejada aposentadoria, de Josué Montello,  com os livros da Barbara Pym, os do Wodehouse e alguns outros,  todos recomendadissímos) e ter ojeriza por superestimados, "corro léguas dos superestimados", mas não me furto a investir parte do meu soldo nos bons livros esquecidos, ou poderia dizer, dos  subestimados. 

Dificilmente vou entender o porque de um livro como esse "Sabe com quem está  falando?" ser tão pouco conhecido.

"Quanto vale um homem?" texto que abre essa maravilhosa seleção de "contos sobre corrupção e poder" já valeria a leitura do livro. Ruffato conseguiu contemplar diversos aspectos do tema através das penas (ou teclas) de Machado de Assis, Artur Azevedo, José Veríssimo, Alberto Rangel, João do Rio, Lima Barreto, Godofredo Rangel, Adelino Magalhães, Graciliano Ramos, Alcântara Machado, Érico Veríssimo, Marques Rebelo, Otto Lara Rezende, Lygia Fagundes Telles,  Marcos Rey, João Ubaldo Ribeiro, Sérgio Sant'Anna, Luiz Vilela, Luiz Antonio de Assis Brasil e  Marçal Aquino.

São contos engenhosos, sagazes e por vezes divertidos. Ri bastante com: "Os pobres liberais", do Artur Azevedo; "O destacamento", de Godofredo Rangel; "Fifinho Autoridade", Adelino Magalhães, "O magnata do voto", do João Ubaldo; o "Más notícias", de Luiz Vilela. A essa altura você já deve estar se perguntando se eu ri com tudo? E eu devo dizer que ri com quase tudo.  Mas não li rapidamente, um ou dois contos por dia, para prolongar o tempo de leitura e valorizar esse trabalho maravilhoso. 

Grifos

"Este é um carro que não chama a atenção. Apenas um carro negro, com vários homens de terno, a percorrer a Avenida dos Revoltosos, que partindo da Praça do Repúdio, vai terminar, depois de vários quilômetros, no Presídio Municipal." 321

"- Olha! Daqui a dias, teremos aí um bom negócio: negócio de carvão! Mais sigilante ainda, em abafada solenidade: - mas muito segredo, heim! Você vai-nos ajudar nisto! Aparece quarta-feira!
(…)
Bom Fifinho! generoso Fifinho, mais ou menos igual aos nossos outros grandes homens, tão beneméritos à custa dos cobres públicos, que os apoteosa!... "(131

"Sem acrescentar palavra, Padre Zoroastro tinha ido lá para falar, não tinha ido para ouvir. Isto é: tinha ido ouvir o sim, só o sim. Enquanto esperava a hora do sim falava para impedir o não."173

"E o Zequinha Silva, presidente da comissão? Desaforo. É preciso arranjar outro presidente, outro tesoureiro: ele. Aí está. Regime novo: gente nova. 
E o cobre com o tesoureiro. " 179

"Com o apoio vivo das nações, assumiu o governo com vagas afirmações  e ameaças nebulosas. Um companheiro da junta, reformado, morreu logo depois. O outro conformou-se e foi, a seu tempo, condecorado com a medalha da Ordem dos Patriotas sem Jaça. Entre interesses e conflitos, os primeiros tempos foram difíceis. Mas acabou fixando algumas opções. Entendido com os oligarcas, jurou desbaratar a oligarquia. Apoiado pelos velhos caciques da política, prometeu renovar as lideranças populares. Firmado no poder pronunciou um discurso histórico. Escrito por um erudito intelectual, acusado de ligações com a direita autoritária, mas de conhecido passado  subversivo como militante da esquerda radical.  Fez poucas alterações no texto, que leu de público com pausa e convicção. Mas conquistar o grande futuro deste pequeno país foi contribuição sua,  que mereceu interpretação no meio político e na imprensa controlada suscitou penetrante exegese.

Aplaudindo a sua intenção de salvar a República e evitar a luta fratricida, a União dos Empresários Livres hipotecou-lhe solidariedade. A Federação Nacional dos Bancos abriu-lhe largo crédito sem prazo fixo. Os sindicatos patronais apoiaram-no. Uns poucos sindicatos operários se encolheram, mas muitos vieram a público,  reverentes, depor sobre a hora densa e grave que a nação  atravessava.  Intimidados, os políticos aguardam os acontecimentos. Muitos açodados, aderiram em nome do povo. E o povo não piou.'(247/8)


Título: Sabe com quem está falando?
Org:  Luiz Ruffato 
Editora:  Língua Geral
Pág: 376
Leitura:  27/08 a 23/09/2017

Sinopse: o escolher para título do livro uma frase que todos já ouvimos - 'Sabe Com Quem Está Falando?' - Luiz Ruffato condensa em poucas palavras aquilo que aparece todos os dias nas notícias, mas também nos aspectos mais cotidianos da vida dos brasileiros, aquilo que passa de geração em geração, encon- trando sempre novas formas e protagonistas. O humor é parte importante desta série de contos, que vai muito além do lugar-comum da corrupção do político que pretende enriquecer e ampliar sua influência. De Graciliano Ramos a Marçal Aquino, passando por Lima Barreto, João do Rio ou João Ubaldo Ribeiro, correndo 150 anos de História, estes relatos mostram a visão particular de cada autor, mas também o contexto social e político, as relações de poder entre militares, dignitários do Estado, jornalistas, cidadãos e desgraçados. O tema pode ser sério, mas este livro consegue, através do talento literário, da perspectiva e do senso de humor dos escritores que nele participam, revelar a comédia que anda sempre associada aos jogos de poder. Faz rir, mas também nos faz refletir.





domingo, 22 de janeiro de 2017

LER É UMA DROGA

Infelizmente não lembro onde e quando vi o livro pela primeira vez. O que me deixa um tanto chateada, porque considero muito importante dizer como o livro apareceu para mim. Afinal é muito possível que sem a dica/comentário/vídeo/resenha/presente/empréstimo de alguém eu talvez nunca lesse aquele livro, vivenciasse tal experiência de leitura. Então é do que mais justo  dar a César o que é de César. Ou melhor dar crédito a quem de direito.
 

E essa lenga-lenga toda é para dizer que não faço a menor ideia de como descobri esse livro delicioso e divertido. 

Lembro de que quando o livro chegou tempos atrás fiquei meio que decepcionada com ele, não era o que eu esperava. Mas para falar a verdade nem eu sei o que esperava, entretanto ao final das contas foi uma leitura prazerosa e gratificante, que para variar pensei em ler um bocadinho por dia, quem sabe uma crônica, ou duas. Mas não funcionou, acabei  me atropelando ao final e lendo tudo de uma sentada. Um livro divertido e com muitas menções a outros tantos títulos.  

Por que o escolhi?  Ele me escolheu e estava encalhado, então acho que está valendo. 

Sem grifos

Título:Ler é uma droga: crônicas sobre livros e leitura
Autor:  Maicon Tenfen
Editora:  Edifurb
Pág: 112
Leitura29/12/16 a 07/01/17
Sinopse:Os textos selecionados para este livro, dentre os publicados no Jornal de Santa Catarina e no Diário Catarinense entre 2007 e 2011, não perdem oportunidade de provocar. Sendo o assunto a namorada chinesa de Luís de Camões, a nova onda de escritores franceses no mercado literário nacional ou a dura vida de um romancista no Brasil, no fundo está sempre presente a irremediável mania do autor de discutir a literatura como manifestação do que somos, e não meramente do que queremos ser. Daí o prazeroso desconforto proporcionado ao leitor. Com a linguagem leve de um caderno de variedades, os textos aqui reunidos divertem, mas também irritam. Contextualizam, e às vezes complicam. Convidam o leitor a imergir no mundo da literatura sem esquecer que ela se alimenta do mundo lá fora, antes de alimentá-lo. Afinal, como Tenfen conclui, não dá para discutir literatura sem antes discutir política e sociedade.

sábado, 21 de janeiro de 2017

SEU IBRAHIM E AS FLORES DO CORÃO

Tempos atrás vi/ouvi falar muito desse Seu Ibrahim e as flores do Corão. 
Confesso que em tais situações divide-se em mim dois tipos de sentimento: 
- Um que é a curiosidade, o tal do "como será?"
- O outro é o medo: "será que é bom mesmo?" E se for honesta direi que tem um terceiro sentimento: "vai ver que é uma boa porcaria."


Nem sempre resisto, e muitas vezes depois de refletir e pesar prós e contras acabo comprando o "maledeto" que invariavelmente junta-se aos outros tantos que aguardam na pilha de livros por ler. Não foi diferente com esse aqui

Peguei o livrinho (é um livrinho mesmo, um conto talvez) um sem número de vezes e depois de uma ou duas páginas fecho o bendito pensando:
1. Que negócio mais chato!
2. O que é que viram aqui?

Até que um dia depois de insistir com uns certos Fidalgos resolvo que mereço tentar outra coisa e numa rápida olhada nas prateleiras em busca de livro encalhado retiro de lá o Sonho de uma noite de verão, comédia do bardo, e mais esse Seu Ibrahim que descubro desta vez que é uma delícia e que me faz dar um riso aqui e outro ali. Um livrinho delicioso e que apesar de tão pequeno tem tanto por dizer.

Um livro sobre amizade...

Grifo
  Esse lugar aqui é pobre, Seu Ibrahim? 
- É sim, é a Albânia. 
- E ali? 
- Pare o carro. Está sentindo? Tem cheiro de felicidade, é a Grécia. As pessoas estão imóveis têm todo tempo do mundo para nos ver passar Sabe, Momô, trabalhei a vida inteira, mas trabalhei lentamente, sem pressa nenhuma, não queria só ter lucro ou ver os fregueses entrando e saindo. A lentidão é o segredo da felicidade.
Título: Seu Ibrahim e as Flores do Corão
AutorEric-Emmanuel Schimitt
Editora:  Nova Fronteira
Pág: 80
Leitura14 a 12/01/2017
Sinopse: Na Paris dos anos 60, um encontro improvável mas precioso revela uma mensagem universal. Momô, um garoto judeu de 12 anos, e seu lbrahim, velho árabe dono da mercearia da rua Azul, tornam-se grandes amigos depois da visita inusitada de Brigitte Bardot. Desse dia em diante, nada mais seria fortuito nos destinos do velho e do menino. A primeira lição que Momô aprende com seu novo amigo é que não há uma muralha permanente entre seu mundo e o dos adultos, como ele acreditava: a vida é muito mais feliz quando seu lbrahim está por perto. Nas situações mais simples do cotidiano, o velho árabe transmite ao menino a sabedoria mística do islã, sem usar de doutrinas ou pregações. Ao mostrar-Ihe o essencial da vida e despertar nele o desejo da experiência, seu lbrahim faz com que o menino descubra a si mesmo e os horizontes de sua própria juventude. Seu lbrahim e Momô desbravarão o mundo. E não serão apenas amigos, como pode parecer à primeira vista. Esse é apenas mais um dos ensinamentos de seu lbrahim. As aparências realmente enganam: o homem velho não é árabe, a rua Azul não é azul e o menino talvez não seja judeu. Seu lbrahim e as flores do Corão é uma fábula encantadora, surpreendentemente cômica e filosófica, que mistura algumas das questões mais fundamentais da existência humana com situações inusitadas do dia-a-dia. Escrita com estilo e simplicidade por Eric-Emmanuel Schmitt, premiado autor francês, a história do velho árabe e do menino judeu é atualmente um dos livros de maior sucesso de público e crítica em toda a Europa e, em breve, chega também às telas de cinema do mundo inteiro, com o ator Omar Sharif no papel de seu Ibrahim.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA

Já falei aqui do documentário sobre Camus, que assisti no  canal Art1, e que tanto me impressionou. Lembro de ficar encantada com os leitores entrevistados, gente comum falava sobre Camus:  um padeiro, um carteiro, um policial,  e não apenas literatos, especialistas e coisas do gênero. Não havia ali teses acadêmicas ou críticas literárias, havia simplesmente gente comum (o leitor comum, parafraseando a Viriginia Woolf). Ontem enquanto assistia a entrevista de Dinho*, o autor de Rio em Shamas, ele dizia que no nosso país enquanto os filhos de pais de uma classe mais privilegiada está lendo um livro, o filho do pobre está empurrando carrinho de mão, porque ele é preparado para trabalhos braçais. Nada contra o trabalhador braçal, mas é triste ver que até este pequeno prazer (o da leitura) lhes é negado. 

Mas deixemos o Camus de lado e vamos ao que interessa. O livro A sociedade literária e a torta de casca de batatas é um romance epistolar com uma narrativa simples, que provavelmente encanta os amantes dos livros e da leitura. As carta trocadas principalmente por Juliet Ashton e Dawsey Adams falam de gente e livros, gente comum diga-se de passagem, tipo aqueles apaixonados por CamusE é isso, também, que torna A sociedade literária e a torta de casca de batatas tão encantador para mim. 

Confesso que a primeira leitura não foi tão prazerosa quanto esta, se antes aqui e ali a leitura emperrou muitas vezes, o mesmo não aconteceu desta vez. Consegui perceber o que havia me incomodado anteriormente, mas desta vez estava menos crítica e mais receptiva ao texto e à narrativa. Foi um tempo deveras interessante. 

A releitura foi logo após a leitura de Quatro cartas de amor, o que me fez permanecer na Ilha de Guernsey por mais tempo. 

http://pt.allexciting.com/food-festival-guernsey/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guernsey




Título: A sociedade literária e torta de casca de batatas
Autor:  Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
Editora:  Rocco
Pág: 304
Leitura:  11 a 23/10/016
Sinopse: 'A sociedade literária e a torta de casca de batata' é um romance epistolar, encenado nas longínquas ilhas Guernsey, no Canal da Mancha, após a Segunda Guerra Mundial. Escrito pela bibliotecária e livreira que estreou na literatura com mais de 70 anos, Mary Ann Shafer,  com apoio da sobrinha, Annie Barrows, o livro é uma celebração da vida através da literatura.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

CAÇADORES DE BONS EXEMPLOS


Minha mãe é fanática pelo programa Como será,  da Rede Globo. E aí temos um problema eu quase não vejo televisão e muito menos a Globo. Mas foi assim que descobri esses Caçadores de bons exemplos.

Confesso que sou desconfiada com tudo que aparece ou é dito na TV.   
Ainda assim resolvi dar uma chance,  aí baixei uma amostra no Kindle e nem abri. Até que não sei bem porque comprei o livro e foi mais um para a pilha. Mas bendito Vargas Llosa que me fez procurar leituras mais prazerosas. E foi assim que saquei das prateleiras esse Caçadores de bons exemplos. Livro que tem aquecido minha alma e molhado minha face... É talvez eu esteja sendo melodramática, mas é o que tem acontecido por aqui. 

Os poucos que acompanham esses escritos sabem que no final do ano gosto de leituras que acalentem a alma e aqueçam o coração. E "vamo" combinar o livro do Llosa (A sociedade do espetáculo)  pode ser tudo menos acalentador. E encontrar um livro recheado de histórias de gente que promove o bem é inspirador.  Existirá forma melhor de concluir o ano? Para mim não. 
Esse livro era destinado ao Desafio "vamos baixar pilha" lá do Goodreads. 

Grifos
Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e a rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez. A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós deseja segurança, amor, paz e felicidade. Contudo, às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. A tribo se une, então, para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, até que ele se lembre da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: “Eu sou bom.” Sawabona Shikoba! Sawabona é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: “EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM.” Em resposta, as pessoas dizem Shikoba, que é: “ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ"
Amar o outro, mesmo que você não concorde com ele.
Aprendemos que não devemos interFERIR nas comunidades. Isso fere! Toda mudança tem que ser de dentro para fora. Não adianta implantar nada que a comunidade não sinta que é seu. Devemos inFLUEnciar. Deixar fluir! Fazer com que as pessoas tenham uma visão global, porém com impacto local. Isso é ajudar o próximo que está próximo! Isso é transformAÇÃO

Título: Caçadores de bons exemplos  
Autor:  Iara e Eduardo Xavier
Editora:  Leya
Pág: 256 
Leitura: 01 a 25/12/2016  
Tema: Autor brasileiro, escolhe um livro ao acaso
Sinopse:  Em meio a tempestades de notícias ruins, os 'Caçadores de bons exemplos' nos mostram brasileiros que constroem um país melhor e fazem a diferença nas comunidades onde vivem. 
Cansados de ouvir notícias ruins, Iara e Eduardo resolveram tomar uma atitude. Sem patrocínio e nenhum vínculo religioso ou político, venderam o apartamento e saíram em uma viagem em busca de bons exemplos: pessoas que fazem a diferença na comunidade que vivem, executando algum projeto social. 
Eles acreditam que existem muito mais ações positivas do que ações negativas no mundo. Neste período, percorreram 225.806 km e catalogaram 1.150 projetos por todos os estados brasileiros. Agora, esta ação se transformou em uma grande mobilização para divulgação do bem, da qual participam milhares de pessoas pelas redes sociais. 
Colecionando histórias emocionantes e ideias inspiradoras, os 'Caçadores de bons exemplos' continuam na estrada, sempre movidos pelo desejo de descobrir uma sociedade mais humana, e mais ativa na construção de um mundo melhor para se viver.