terça-feira, 1 de novembro de 2016

O FALECIDO MATTIA MASCAL

Meu primeiro contato com Pirandello foi através do livro Um nenhum e cem mil, que eu gostei, mas que confesso não lembro de muita coisa.

O falecido Mattia Pascal estava na pilha já fazia algum tempo e alguns desafios e nunca saía de lá. Mas enfim saiu, este foi um daqueles livros pensados em ler naquelas férias em que quase nada foi lido.

A história surpreendeu-me bastante, não esperava algo tão divertido , com direito a algumas gargalhadas. E de um certo modo me fez lembrar alguns dos escritos do Calvino (o Ítalo).

A história de Mattia Pascal me acompanha mesmo depois de fechar o livro. Causa-me certo estranhamento encontrar tão pouco sobre Pirandello e sua obra o que me leva a crer que o autor é pouco lido por aqui. Talvez por ser um autor divertido e por estas plagas para ser considerado "boa literatura" tem que ser sorumbático. Não sabem o que estão perdendo. O que sei é que quando voltar às compras incluirei outros Pirandello na cestinha.

Pirandello recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1934, e então podemos dizer que é um clássico?

Grifos

 "(...) se um rouxinol dá as penas da cauda, pode dizer: "Sobrou-me o dom do canto", mas se um pavão é obrigado a dá-las, o que lhe resta?"
Um pouco mais sobre:
Luigi Pirandello: o filho do Kaos
A narrativa resistente em Luigi Pirandello: uma questão de ética
O casamento por Pirandello



Título: O falecido Mattia Pascal
Autor:  Luigi Pirandello
Editora: Abril
Pág:  314
Leitura:  03/03 a 24/04/2016
Tema: Clássico
Sinopse:  Mattia Pascal é um homem que, em meio à angústia existencial do início do séc. XX, assume uma nova vida. Porém, se depara com a burocracia e as regras das quais tentou escapar no início. Luigi Pirandello abandona a narrativa tradicional e, com humor peculiar, denuncia a miséria das relações humanas.

8 comentários:

  1. Tenho para ler! E estou muito curiosa!

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    1. Bom encontrá-la por aqui. Obrigada!
      Talvez encontre similaridades entre ele e o As Viúvas de Dom Rufia, de Carlos Campaniço. Foi o que me pareceu quando li a amostra no Kindle.

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  2. Li esse livro para a faculdade faz um tempo e já não lembro muita coisa. Concordo com você que ele lembra um pouco o Ítalo Calvino.
    Se você gosta de ler teatro, recomendo o "Seis personagens à procura de um autor", também do Pirandello.

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    1. Devo gostar de teatro já que adoro os livros do Suassuna, do Dias Gomes... isso se ficar por aqui, isso sem falar no bom e velho Shakespeare.

      Seis personagens tem na biblioteca, e eu comprei O marido dela da coleção da Folha, aliás o único que comprei.

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  3. Excelente livro As Viúvas de Dom Rufia! Adoro o carlos Campaniço!
    Marta, porque gosta tanto de autores portugueses? É comum isso acontecer no Brasil?

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    1. Aqui existe dois extremos de um lado estão os que nada leem (a imensa maioria) e do outro os que leem muito cada um em seu estilo. O que percebo, não sei se é uma avaliação correta, é que por aqui eles gostam do que tem o aval do marketing, então os autores pouco conhecidos não tem muita vez.

      Quanto a mim eu gosto de autores que saibam contar uma boa história, ótimo quando tem estilo, mas é importante saber contar a história. De um modo geral meus preferidos nunca estão entre os mais vendidos.
      Dom Rufia chamou minha atenção porque fiquei com a sensação de que o livro tem um que do Pirandello.

      Acho que falei muito e não consegui explicar porque gosto dos portugueses, acho que não sei. Sei que fazem bem para minha alma seja porque são reconfortantes (como A vida no campo) seja porque tem um que satírico bem sutil como o Mario Zambujal (gostei do que li dele).

      Escrevi demais sou péssima com palavras, meu negócio continua a ser números e planilhas. ;)

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  4. Só li um livro do Pirandello, e foi justamente 'Um, nenhum e cem mil'. Já esqueci os detalhes porque a leitura foi há muito tempo, mas lembro que gostei e que achei divertido. O que você comentou é verdade: Pirandello é meio esquecido por estas bandas. Uma pena. Acho que tenho essa edição da Abril aqui em casa. Fiquei curiosa para ler :)

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    1. Mi, eu me diverti muito.
      E ao mesmo tempo tem coisas para a gente refletir e se questionar. Gostei bem mais desse do que de Um, nenhum e cem mil, que tão tive muita empatia com os personagens do livro talvez por isso gostasse menos.
      Se você ler depois me conta o que achou.

      Bjs

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