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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O QUEIJO E OS VERMES

Ainda lembro de quando ouvi falar de O queijo e os vermes pela primeira, foi lá no início dos ditos anos 2000 quando fui aluna da professora Elisete num curso de Filosofia. Ela estava empolgada com o livro e falava constantemente sobre o moleiro Menocchio.
E, claro, eu fiquei muito, mas muito curiosa mesmo. 

Mas o bendito do livro estava esgotado, não encontrava em lugar nenhum. Até que encontrei, por acaso,  um exemplar perdido num sebo,  um tanto velho e desgastado é verdade, mas eu queria tanto ler/ter o livro e se o que tinha era isto, era isto que ia ser. 


Os livros que me foram indicados por professores que eu admiro/admirava sempre me encantaram. Não qualquer livro, mas aqueles que faziam parte da galeria afetiva deles, os seus favoritos. Lembro de em menina ficar depois da aula sentada junto à mesa de "Seu" Valter o nosso professor de Literatura, com as mãos no queixo ouvindo embevecida ele falar sobre os livros que gostava. Sempre que penso em Iaiá Garcia lembro dele. Meus colegas achavam um horror perder tempo ouvindo "um velho". Mas eu adorava.

E com O queijo e os vermes, de Carlo Ginzburg,  é mais ou menos assim. Não posso pensar nele sem lembrar da professora que me indicou. E a história de Menocchio me encantou do mesmo jeito que a encantou. 

Grifos:
Vejamos como esses livros chegaram às mãos de Menocchio. 
O fato de que mais da metade dos livros citados por Menocchio tivessem sido emprestados deve ser levado em conta... 
Junto ao raciocínio estavam os livros.

Título:  O Queijo e os Vermes
Autor:   Carlo Ginzburg
Editora:  Companhia das Letras
Pág: 256
Leitura:  06.07 a 25.08.2016
Tema: Itália 
Sinopse: Um obscuro herege do século XVI é resgatado do esquecimento por Carlo Ginzburg em 'O queijo e os vermes'. A partir daí nasce não uma dissertação acadêmica, mas uma das mais apaixonantes histórias sobre a Inquisição e sobre a cultura popular e erudita da época, por meio da vida de Menocchio, o moleiro, e sua espantosa cosmogonia: "[...] tudo era um caos, isto é, terra, ar, fogo e água juntos, e de todo aquele volume se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos...".



domingo, 10 de julho de 2016

SENILIDADE

Tempos atrás quando li e me encantei com A indesejada aposentadoria,  de Josué Montello e com Memorial de Aires, de Machado de Assis, descobri fuçando a estante da Márcia Regina este Senilidade aqui.  Pense numa leitura que não engatava, não saía da primeira página. Então colocava o livro de volta prateleira pensando quem sabe um dia. Até que dias atrás estava separando uns livros para mandar para a biblioteca e pegando esse pensei: porque não, afinal parece que não vou ler mesmo. 

Foi aí que surgiu mais um Desafio para participar e o tema deste mês era livro de autor italiano... bem por aqui tem Calvino, Eco, Calvino de novo, Pirandello (esse não vale, seria a primeira escolha), di Blasi e tem esse Svevo. Decido começar por aqui. E mais uma vez tenho dificuldade no começo, insisto, persisto. Até que começa a fluir, e muito bem. E o que era leitura de abandono, está quase levando quatro estrelas.  Ainda que termine o livro sem muito bem porque o livro se chama Senilidade, mas o livro é do Svevo e ele pode dar o título que quiser, pois, pois. 

Como disse o começo foi difícil, comecei a fazer um paralelo com Lolita, de Nabokov, o que dificultou ainda mais a leitura, visto que não gosto nada deste último.  Mas, à medida que avançava no livro, e me distanciava da ideia inicial, a leitura foi tornando-se mais e mais fluída. Dificilmente vai se tornar um favorito, mas foi uma experiência muito positiva. Esse era o livro escolhido para carregar na bolsa, e houve dias que dei por mim ansiosa para voltar à leitura, foi quando percebi que o livro estava a me conquistar. 

Grifo: 
Nada tenho em contrário a que você se divirta, mas não parece que está se divertindo muito.
"Como fomo expressivos", pensou. "Ela pedindo para não contar a Emílio nada desse encontro e eu lhe respondendo que o faria tão logo o encontrasse."
Aquilo não é mulher para jovens como você, e que além do mais não têm saúde muito sólida.
Você também continua igual a si mesmo. 

Título: Senilidade
Autor:  Italo Svevo
Editora:  Nova Fronteira
Pág: 268
Leitura:  28/06 a 09/07/2016
Tema:  Autor italiano
Sinopse:  Este romance de Italo Svevo, fundador da moderna ficção italiana, conta a história de um burguês em conflito com sua paixão por uma operária. A narrativa é centrada num personagem onde as ações e reações são encadeadas, problematizadas e resolvidas com a fria precisão de que monta uma equação algébrica.