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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

LENDO LOLITA EM TEERÃ

Não lembro quando ouvi falar de Lendo Lolita em Teerã pela primeira vez, mas ouvi e vi muitas vezes, e eu que não resisto a livros que fazem rir, também não resisto a livros sobre livros.  E depois de resistir muito acabei por comprar e deixei na pilha. Havia o costumeiro receio de que o livro não fosse tudo o que diziam, a maioria dos comentários foi de gente que recebeu o livro de parceria, e "vamo" combinar não dá para levar a sério opinião de parceiro. E o livro foi ficando, ficando, ficando. Como tenho por regra ler todo, todo livro em que invisto meu dinheiro, sabia que uma hora ele iria sair de lá. E saiu, agora que tenho que ler um livro escrito por mulher e/ou que tenha um título com apenas três palavras, aliás "fala sério" contar a quantidade de palavras é um jeito bem esquisito de escolher um livro, mas quem sou eu para dizer alguma coisa, não é?

Pois é, saiu justamente neste mês em que estou de férias tiro da pilha um bando de livro (que sei que não vou ler, raramente consigo ler nesses dias prazenteiros de ver amigos/paisagens/paragens  e jogar conversa fora), mas sempre insisto e dá em nada (rs). Pois então, entre os livros escolhidos está esse Lolita em Teerã, que praticamente não sai da sacola exceto nos últimos dias das férias. Uma leitura agradável e que mistura biografia com os encontros literários (quase um clube de leitura) entre a autora e suas ex-alunas.

Levo praticamente dois meses para terminar a leitura, primeiro que férias não é o período que mais leio, como disse acima. Por outro lado embora a leitura seja relativamente fluída, as duas  primeiras partes deram um certo trabalho: Gatsby  e Lolita nunca foram meus preferidos. Mas James e Austen (as duas últimas partes) foram leituras absolutamente fantásticas. É muito bom ler sobre como os livros podem nos unir e apoiar nos melhores e piores momentos. Gostei bastante!

E o livro pensado em ser tema do desafio no mês das mulheres, passou por três palavras e ficou no desafio com o tema livro com nome de lugar no título. 

Para saber mais:
http://azarnafisi.com/ 
https://www.goodreads.com/author/show/5151.Azar_Nafisi
https://www.facebook.com/azarnafisi

Grifo: 
Não menospreze, sob qualquer circunstância, uma obra de ficção tentando transformá-la numa cópia fiel da vida real; o que procuramos na ficção é muito menos a realidade do que uma epifania da verdade. 
Por que histórias como Lolita e Madame Bovary - histórias tão tristes e tão trágicas - nos deixam felizes? Não é pecado sentir prazer quando se lê algo tão terrível? Nos sentiríamos assim se soubéssemos dessas histórias pelos jornais ou se acontecessem conosco?

Título: Lendo Lolita em Teerã
Autor:  Azar Nafisi
Editora:  BestBolso
Pág: 420
Leitura:  19/02 a 23/04/3016
Tema: Títulos com apenas três palavras
Sinopse:  A autora iraniana Azar Nafisi nos conduz à intimidade da vida de oito mulheres que precisam encontrar-se secretamente para explorar a literatura ocidental proibida em seu país. Durante dois anos, antes de deixar o Irã, em 1997, Nafisi e mais sete jovens liam em conjunto Orgulho e Preconceito, Madame Bovary, Lolita e outras obras clássicas sob censura literária. A narrativa de Nafisi remonta aos primeiros dias da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini (1979), quando a autora começou a lecionar na Universidade de Teerã, em meio a um turbilhão de protestos e manifestações. Obra de grande paixão e beleza poética que nos ajuda a entender os sangrentos conflitos do Irã com o vizinho Iraque, e a tirania do regime islâmico.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

QUARTO DE DESPEJO

Não posso dizer, como tanta gente, que nunca havia ouvido falar de Quarto de despejo, havia sim. Mas não sabia do que se tratava e confesso que não chamou a minha atenção. E quando virou modinha torci o bico como sempre faço.

Mas aí me surgiu um vídeo feito pela Camila Navarro no canal Viaggiando que fez com que eu corresse atrás do livro, ainda assim dei uma pesquisada nas estantes e comentários de amigos para certificar-me de que o livro era para mim. 

E num sábado de muita chuva e uma certa indisposição lá se vai eu à biblioteca que descubro que depois de três semanas continua fechada, sabe Deus porque. E então corro à Juracy Magalhães, onde encontro o livro. E naquele mesmo dia chuvoso eu começo a ler o livro da Carolina de Jesus. Não li tão rapidamente quanto gostaria porque esta foi uma semana bastante atribulada. 

Um livro impactante e necessário, e durante a semana em que o li todos os meus amigos e familiares tiveram que aguentar a falação sobre Carolina de Jesus. Penso que a última vez que fiz isto foi quando li Arroz de Palma, do Francisco de Azevedo (infelizmente, porque indica que já faz um bom tempo que não lia um livro que me tocasse tanto).
Não posso dizer que foi um tapa na cara, para mim tapa na cara é em 2016 eu ter medo de um menino de dez anos, quando cruzo com ele na rua. Ou quando passo pelo centro da cidade à noitinha voltando do trabalho e vejo pessoas revirando o lixo em busca de comida. 


VIDEO DA CAMILA NAVARRO 


Grifos:
Li um pouco. Não sei dormir sem ler. Gosto de manusear um livro. O livro é a melhor invenção do homem.
Senti o cheiro de álcool. Pensei ele está bêbado Um menino de 9 anos. O padrasto bebe, a mãe bebe e a avó bebe. E ele é quem vai comprar pinga. E vem bebendo pelo caminho.
O que eu fico admirada é das almas das favelas. Bebem porque estão alegres. E bebem porque estão tristes.
A única coisa que não existe na favela é solidariedade
Para saber mais:

Quarto de despejo: diário de uma favelada -  A escrita como válvula de escape
A escrita de Carolina Maria de Jesus: do quarto de despejo para o mundo


Título: Quarto de Despejo: diário de uma favelada
Autor: Carolina Maria de Jesus
Editora: Ática
Pág.  176
Leitura: 18 a 26/06/2015 
Tema: Autor brasileiro
Sinopse: A voz do povo: essa expressão figurada se torna concreta nas páginas de Quarto de despejo. Nesse livro, o cotidiano cruel dos favelados se apresenta por ele mesmo, nas suas próprias palavras. Com a linguagem simples de que dispõe, a autora conta o que viu e viveu, sem artifícios ou fantasias. Mas, ao mesmo tempo, com um estilo único que comove pela força de seu realismo e sensibilidade. Carolina de Jesus foi catadora de papel e viveu na favela do Canindé. É a condição humana dos miseráveis que traduziu em sua obra, um exemplo autêntico de literatura-verdade.


domingo, 1 de maio de 2016

AMERICANAH


Honestamente eu nunca pensei em ler Americanah. Quem já leu outros comentários por aqui sabe que eu procuro passar longe dos livros extremamente recomendados, aqueles que todo mundo lê e tem a mesma opinião. Geralmente me dou muito bem com os desconhecidos/esquecidos, os Knulps, Os homens de olhos dançantes, As indesejadas aposentadorias, apenas para citar alguns., deram-se melhor comigo do que os... Bonsais, as Desumanizações...

Americanah deveria ser lido para participar do primeiro encontro do Clube de Leitura Leia Mais Mulheres daqui, aí aproveitei e incluí no Desafio Skoob e o Leia Mais Mulheres. Ou seja não o li por opção.
Desde o começo a leitura não fluiu. Empacava frequentemente, levei mais de mês, como se costuma dizer por aí, para chegar aos míseros 30%. Inicialmente pensei tratar-se do suporte utilizado para a leitura, cheguei a brincar dizendo que era lenta e lerda com os ebooks. Mas pensando bem, o problema é a história. A história não me convence. Penso em C S Lewis de quem acabo de ler O sobrinho do mago. Pois então, a mentira que me contam tem que parecer verdade, eu consigo crer numa história em que absurdamente (?) um garoto e uma garota são transportados para um universo paralelo apenas colocando um anel no dedo (e isto no século XIX), mas não consigo entrar na história de uma nigeriana que se muda para os EUA, é mais ou menos por aí. A história da Chimamanda não me convence. Percebo que toca em pontos chaves acerca da vida do migrante africano, da mulher africana. Enquanto tese está ótima, mas não enquanto obra de ficção, não para mim.

Paradoxalmente este foi um livro de muitos e extensos grifos:
"Vejam bem, é muito difícil ser do governo neste país e não ser corrupto. Tudo é feito para você roubar. E o pior é que as pessoas querem que você roube. Seus parentes querem que você roube, seus amigos querem que você roube” (Isto não lhe parece familiar?)
A raça importa por causa do racismo. E o racismo é absurdo porque gira em torno da aparência 
Eu costumava ser assim com os livros. Secretamente sentia que meu gosto era superior
Algumas mulheres negras, tanto americanas como não americanas, preferem sair peladas na rua a aparecer em público com seu cabelo natural.
Lagos nunca foi, nunca será e nunca quis ser como Nova York ou qualquer outra cidade. Lagos sempre foi indiscutivelmente ela mesma.
No início, ficara empolgado com o Facebook, vendo os fantasmas dos velhos amigos subitamente ganhando vida com esposas, maridos e filhos, as fotos seguidas de comentários. Mas começou a ficar horrorizado com o ar de irrealidade, a manipulação cuidadosa de imagens para criar uma vida paralela, as fotos que as pessoas tiravam tendo o Facebook em mente, colocando ao fundo as coisas das quais sentiam orgulho. 
Título:  Americanah
Autor:  Chimamanda Ngozi Adichie
Editora:  Companhia das Letras
Pág: 516
Leitura: 20/12/2015 a 10/03/2016
Tema: Escritor africano 
Sinopse:  Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.

terça-feira, 1 de março de 2016

AS PEQUENAS VIRTUDES


Não é uma tarefa fácil escrever sobre esse livro, um misto de ensaio e de biografia ou memórias. Eu já havia visto e lido bastante sobre ele, mas não me animava a comprá-lo, tinha um certo receio. Mas, no Natal ele surpreendentemente aportou por aqui. E um dos meus compromissos/metas é não acumular mais livros que ganho de presente, sempre tento encaixar algum entre as minhas leituras. E já que março o tema é livro escrito por mulher (igual ao ano passado),  resolvi tirá-lo da pilha. Sem esquecer que também serve para o Leia mais mulheres na categoria não ficção,


Para ver se ia funcionar eu o abri aleatoriamente e me deparo com isto "houve a guerra e vimos desmoronar muitas casas e agora não nos sentimos mais seguros em casa como antes quando estávamos quietos e seguros ". (67) 
O que me remete aos escritos do Monge Thich Nhat Hanh, em seu livro Medo, que acabo de ler. E volto a pensar que os livros conversam entre si, ou então somos atraídos para determinados escritos e temos que estar atentos para percebemos o querem nos dizer. 

Li um artigo/informe publicitário/resenha ou seja lá que nome queiram dar que dizia que eu deveria começar a ler o livro pelo ensaio que dá título ao livro, ou seja, devo começar pelo fim. Claro que não aceitei o conselho e li do começo, e me encantei com Inverno em Abruzzo, onde tive um misto de enlevo e contemplação, me diverti muito com a mordacidade de Elogio e lamento da Inglaterra.  E vejam só o último As pequenas virtudes me pegou vejam só ela fala de educação financeira, e finanças faz parte do ofício da pessoa. 

Grifos:

A cidade que era amada por nosso amigo continua a mesma.
A natureza essencial da cidade é a melancolia. 
Ele ama os museus, e eu o acompanho com esforço com uma desagradável sensação de dever e de cansaço. Ele ama as bibliotecas, e eu as odeio.

Artigo Estadão:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,novo-livro-de-natalia-ginzburg-ensina-como-educar-em-tempos-de-barbarie,1722970


Título:  As pequenas virtudes
Autor:  Natalia Ginzburg
Editora: Cosac Naify
Pág: 160
Leitura: 15 a 17/02/2016
Tema: Escrito por mulher
Sinopse: O livro reúne onze textos da italiana Natalia Ginzburg situados entre o ensaio e a autobiografia. Lançado em 1962, é considerado uma das grandes obras da escrita memorialística do século XX. Trata-se de uma prosa límpida, elegante, aliada ao vigor típico dos escritores que, ao falar das coisas mais prosaicas, desvelam as vivências mais profundas. Entre os escritos, está “Retrato de um amigo”, o mais belo perfil do poeta e amigo Cesare Pavese; em “As relações humanas” e “As pequenas virtudes”, a autora disseca todos os fios que conectam as gerações; sua experiência em tempos de guerra estão narradas em “Sapatos rotos” e “O filho do homem”; uma visão irônica e cômica da inóspita Londres aparece em “Elogio e lamento para a Inglaterra” e “La Maison Volpé”.