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sábado, 3 de setembro de 2016

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

Alguns livros me causam um certo receio, um medo de que não funcione e de que a leitura esperada e ansiada resulte por fim em desalento e decepção. Foi assim com esse aqui, é assim com Coração de tinta, de Cornelia Funk, com A história sem fim, de Michael Ende, Como água para chocolate, de Laura Esquivel, só para citar alguns. De onde vem esse receio? Creio que é fruto de algumas experiências desalentadoras e frustrantes, mas quem não as tem?

Mas não foi o que aconteceu com esse A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick,  um livro que já havia visto e ouvido falar um tanto de vezes. Sempre despertava a minha curiosidade, e sempre vinha aquele medinho e eu pensava: vai ver que não é tudo isso. Imagina um livro contemporâneo que tem mais de dez mil leitores e cerca de 240 resenhas, isso só pode ser fruto de uma grande publicidade esse livro não pode ser tão bom,  penso eu na minha eterna descrença e desconfiança.


Mas o vídeo da Dani ( A bibliotecária leitora) me aguçou mais uma vez o interesse pelo livro. Eu já fiz duas leituras compartilhadas com a Dani, e foi uma experiência extremamente positiva e enriquecedora, quando resolvemos ler A biblioteca mágica de Bibbi Bokken e antes disso O mistério do Natal, ambos de Jostein Gaarder. E quando precisei trocar pontos a expirar em uma livraria "on line", resolvi pegar esse livro aqui que estava em promoção. E devo dizer que ele demorou menos de um mês na pilha. 

E foi uma leitura encantadora, me envolvi na história de tal maneira, como raras vezes tem acontecido. As ilustrações em preto e branco não apenas complementam a história, mas embelezam e enriquecem a leitura. E ao final descobrir que esse livro é uma homenagem tão bela prestada pelo autor fez com que a leitura tivesse um outro significado. Afinal vivemos um tempo de mais reclamações, ruminações e queixas do que de elogios e exaltações, uma pena. Ainda bem que temos vez por outra alguém que consegue ver o lado bom e positivo das coisas e das pessoas. ;)

Grifos: 
O velho na loja de brinquedos estava discutindo com a menina.
Mas a história começa, porque as histórias sempre levam a outras histórias.


Para saber mais:
Resenha: A invenção de Hugo Cabret, por Michelle 
Vídeo da Quézia
About Brian Selznick - The Invention of Hugo Cabret by Brian Selznick
Brian Selznick's Biography


Título:  A invenção de Hugo Cabret
Autor:  Brian Selznick
Editora:  Edições SM
Pág: 534
Leitura: 19 a 25/08/2016
Tema: Fantasia
Sinopse:  Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento da máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.



domingo, 17 de janeiro de 2016

O SOBRINHO DO MAGO

Perdoem-me a ignorância, mas eu nunca tinha ouvido falar em Nárnia ou C. S. Lewis até assistir a um dos episódios na TV. Alguma coisa ali me fez lembrar de Jumanji, filme que já assisti "ene" vezes. Talvez tenha sido a cena do guarda roupa, que tenha me chamado a atenção. O que sei é que depois disso corri à biblioteca para ver o livro. Trouxe pra casa um calhamaço com centenas de páginas, e confesso não saí das primeiras delas. Devolvi o livro, e tempos depois comprei este O sobrinho do mago, isto depois de rever o bendito filme.  que ficou na prateleira desde então. Todo ano ele entrava para a lista de leituras dos desafios e nunca saía de lá. E foi aí que pensei deste ano não passa. 

O começo não foi muito empolgante, quase jogo a toalha. Isto sem falar que me sentia uma analfabeta bíblica pois não conseguia relacionar o que lia com nenhuma narrativa bíblica. Até que lá pelas tantas o leitura ganhou ritmo e era impossível parar de ler ou não ver  analogia usada por C.S. Lewis na história e isto sem tomar o texto piegas ou proselitista. E não é necessário conhecer a bíblia para ler e gostar do livro, afinal  é uma história de aventuras muito boa, que faz com que o leitor que aguça a curiosidade para o que vem a seguir e em determinado momento é quase impossível largar o livro. 

Terminei de ler com a nítida sensação de que muito brevemente irei à biblioteca buscar aquele calhamaço. 

Nota: adorei as ilustrações desta edição.

Grifos  

Como assim não grifei nada?




Título:  O sobrinho do mago
Autor:  C. S. Lewis
Editora:  Martins Fontes
Pág: 184
Leitura: 01 a 16/01/2016
Tema: Fantasia
Sinopse:  aventura começa quando Digory e Polly vão parar no gabinete secreto do excêntrico tio André. Ludibriada por ele, Polly toca o anel mágico e desaparece. Digory, aterrorizado, decide partir imediatamente em busca da amiga no Outro Mundo. Lá ele encontra Polly e, juntos, ouvem Aslam cantar sua canção ao criar o mundo encantado de Nárnia, repleto de sol, árvores, flores, relva e animais.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A VÉSPERA DE NATAL

Em outubro quando o tema para o Desafio Literário era terror, que eu não gosto nada, aproveitei que no Brasil  o mês era dos pequenos e resolvi ler Pinóquio. Desde então que sempre que posso eu leio/releio livros infantojuvenis aos domingos. 
E como nos últimos dias tenho me dedicado  à leitura/releitura de livros com histórias natalinas, em um dia qualquer do mês de novembro, eu resolvi reler esse poema de Natal, de Clement Moore e recontado por Tatiana Belinky,  que conta um pouco as origens de uma das maiores lendas do Natal: o nosso Papai Noel. 

Devo dizer que o livro não me empolgou muito numa primeira leitura, lá em 2014 quando instigada pelo vídeo da Vevsvaladares eu acabei por comprar este livro. E esse ano não foi diferente. Em um sábado em que estava acamada com dores por todo o corpo, em mais uma doença não identificada e que resolveram apelidar pelo nome genérico de virose, eu o tirei das prateleiras para fazer uma releitura.  Quinze minutos depois eu tinha acabado de ler sem que lembrasse de uma única palavra. E nova releitura sem muito avanço em relação à experiência anterior. Mas eu sou brasileira... e eis que no dia seguinte, um domingo, à tarde eu pego o livro de novo e a experiência foi completamente diferente, havia cadência na leitura, interesse pelas  ilustrações... e a leitura  adquiriu um que de magia... O que me faz voltar àquela velha história de que livro (leitura) pra ser bom tem dia e hora marcados, e nesse caso um ano e um dia fizeram toda a diferença.




Título:  A véspera de Natal 
Autor:  Clement Clarke Moor
Recontado:  Tatiana Belinky
Editora: Caramelo
Pág: 35
Leitura: 28 e 29/11/2015
Tema: Natal
Sinopse: Na noite do dia 24 de dezembro, quando as luzes se apagam e todos vão para a cama, tem começa a magia do Natal. As crianças sonham com os brinquedos que ganharão no dia seguinte, enquanto o Papai Noel desce a chaminé com os presentes. Mas o que acontece se alguns estiverem acordados, esperando pelo Bom Velhinho?

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sábado, 19 de setembro de 2015

A TEMPESTADE

Eu tenho A tempestade por aqui há algum tempo, não sei precisar quanto.  Gosto  de quase tudo que li de Shakespeare até agora, e não houve nenhum que eu pudesse dizer simplesmente não gostei. E assim foi com este, apesar de não ter sido uma leitura super empolgante, os livros do bardo sempre me trazem boas reflexões e quiçá boa diversão. 



A tempestade, vez por outra, saía das prateleiras e após a primeira página lida voltava para ela. Até que o vídeo da Gláucia me instigou a retirá-lo de lá, quando eu vi que A tempestade era uma peça com um viés "fantástico", tema de fevereiro aqui neste DL de 2015. Então resolvi que era agora ou nunca. Descubro que eu e minha edição de bolso da Saraiva com a magistral tradução da Barbara Heliodora não nos entendemos muito bem.  

Era para ser uma leitura de livros de fantasia, mas como os livros do bardo parecem ter sido banidos, e este A tempestade parece ter tido uma história recente de estigma, Deus sabe lá porque, resolvo deixar este para o mês dos banidos, já que A Greve dos sexos, foi um fiasco em termos de leitura. 

Infelizmente este foi um livro que tendeu para o divertido, algum encantamento e trechos e mais trechos de fraca concentração, de pensamento a voar por aqui e acolá.  Não faço ideia do porque. Talvez um dia eu pense numa releitura, talvez não. 

Acho que minha experiência de leitura com ele foi semelhante àquela que tive com Como gostais, também de Shakespeare. Não conseguiria recordar-me de muita coisa não fosse as referências vistas no filme com a Drew Barrymore. 

Grifos: 
Ninguém a quem eu ame mais que a mim mesmo
Tá tudo perdido. Vamos rezar, vamos rezar! Tá tudo perdido.
Ora, meu senhor! Onde está ela, a consciência?
Lembrai-vos primeiro de tomar posse dos livros dele; sem os livros, ele é só mais um palerma embriagado, que nem eu;
Queimai-lhe apenas os livros,

Título: A tempestade
Autor: Shakespeare
Editora: L&PM
Pág: 112
Leitura:  22 a 26/03/2014
Tema: Livros banidos
Data: Semana da liberdade de leitura
Sinopse: “A tempestade” é considerada a obra mais pessoal e ousada de Shakespeare. Relata a história de Próspero, duque de Milão, traído pelo próprio irmão e banido para uma ilha na companhia da filha. Depois de 12 anos no exílio, Próspero ? uma espécie de mago ? cria uma tempestade que faz naufragar o navio que leva seus desafetos, e pode finalmente colocar em prática a sua vingança.




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

BLISS: UMA PITADA DE MAGIA

Quando vi Bliss na livraria a primeira vez não resisti à capa. Eu o li  para o Desafio Literário de 2014 . E embora achasse que a história não pedia continuação, não resisti quando soube que haveria mais um volume, e agora que estou lendo este Uma pitada de magia, descubro que foi lançado mais um terceiro. (aff!!!)  

Não sou interessada em séries e não tenho paciência para elas. De um modo geral acho que é só uma forma de fazer caixa. Mas, a gente sempre quer saber o que vem a partir daí, não é?

Neste a autora utiliza-se de ingredientes que atraem muito nos tempos pós modernos: competição, reality shows, intrigas e maldades. A linha segue a mesma trilha do volume anterior em que todas as estratégias pensadas e utilizadas pelos garotos para recuperar o Tomo de Culinária roubado pela tia Lily (afinal toda família tem uma banda podre, e a tia Lily é uma grande trapaceira) acabam funcionando às avessas. É  uma história que  envolve magias e culinária, afinal temos uma família de bruxos confeiteiros, bruxos do bem claro,  a história é leve e até divertida.  

Adorei o ratinho flautista. 

Aparentemente este volume da série  foi melhor revisado que o anterior  

Eu diria que é um livro gostosinho,  para ler sem comprometimento quando se quer apenas relaxar.




Título:  Uma Pitada de Magia
Subtítulo: Confeitaria Bliss - Livro 02
Autor:  Kathryn Littlewood
Editora: Salamandra
Pág: 368
Leitura: 05  a  13/02/2015
Tema: fantasia
Data: carnaval
Sinopse: Rosemary Bliss fará qualquer coisa para conseguir de volta o Tomo de Culinária Bliss - livro ancestral, que contém receitas mágicas de sua família, que sua falsa tia Lily roubou. Por isso Rose a desafia Oara em uma competição internacional de culinária em um programa de TV! Neste segundo livro da trilogia Bliss, Kathryn Littlewood combina mágica divertida com ousadas aventuras, resultando em uma receita para leitor nenhum botar defeito.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

QUEBRA NOZES & CAMUNDONGO REI

Acho que o Quebra Nozes & Camundongo Rei está em minhas pretensões de leituras para Desafios Literários desde 2013, mas posso estar enganada. E como vocês podem ver só agora saiu de lá.
Resolvi tirá-lo da pilha porque tenho que ler um livro de fantasia, e estou ainda num clima meio natalino. 
Quando comprei o Quebra Nozes  tempos atrás fui motivada pelo saudosismo, que eu ouvia em criança vezes sem conta numa daquelas publicações da abril, livro e disco, eu não tinha o livro, só o disco, não me pergunte porque. Até hoje ainda recordo de alguns trechos das musiquinhas e dos diálogos que ouvia. 

Depois, um amigo e colega de trabalho, teceu os melhores comentários acerca do  E.T.A.Hoffmann  e como eu confio muito nas avaliações dele, resolvi que só teria a ganhar tendo o livro aqui comigo.

A história narrada pelo E.T.A Hoffmann é bem mais completa do que a versão que eu conhecia, aliás eu nem sabia/lembrava do tal camundongo. E para completar o saudosismo ouço Nutcracker de Tchaikovsky  enquanto leio. Um daqueles livros que me deixam com um sorriso nos lábios a cada capítulo que leio. Aaaadoooro!  Ainda que houvesse um estranhamento por não identificar muita coisa com o que lembrava, adorei a história.

Descobri que o Alexandre Dumas também tem uma versão do livro.  Tentarei encontrar.

Título: Quebra Nozes & Camundongo Rei 
Autora: E. T. A. Hoffmann
Editora:  Berlendis & Vertecchia Editores
Leitura: 08  a 12/01/2015
Pág: 128
Tema: Fantasia
Data: Carnaval
Sinopse: Um dos melhores contos do genial E.T.A. Hoffmann - que deu origem ao balé de Tchaikovsky -, pela primeira vez numa tradução direta e integral. A pequena Marie se vê às voltas com estranhos acontecimentos desde que ganhou de Natal um curioso senhorzinho quebra-nozes. Os objetos ao seu redor parecem ganhar vida: as bonecas, os soldadinhos de chumbo de seu irmão... até que surge uma horripilante criatura para estragar tudo. Um mundo encantado está em perigo e, para piorar, ninguém mais acredita nela. Uma história repleta das coisas mais esplêndidas e maravilhosas... se tivermos olhos para isso. 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O PIROTÉCNICO ZACARIAS

Depois de trazer para casa Bichos, de Miguel Torga, que não rolou. Resolvi investigar um pouco melhor minhas possibilidades de leitura. E analisando minha lista de desejados na Estante Virtual me aparece este Pirotécnico. Mas, do que mesmo ele trata? Não lembrava mais, as investigações dão conta de que é uma fantasia surrealista. Não faço a mínima ideia do que seja, mas vá lá é fantasia e é disto que eu preciso. 
E lá vou eu pesquisar no site da biblioteca,  e sim eles têm o livro, e sim está disponível. Vamos devolver os tais Bichos do Torga, e trazer o Pirotécnico. Primeira dificuldade, a leitora que estava lá achou que o livro ia não render. Por outro lado, estava muito velho, caindo aos pedaços. Melhor trazer o Pássaro de prata, de Joyce Petschek. Que depois que vi a capa e dos trechos que ela leu para mim fiquei bem tentada. Mas, alguma coisa me dizia   para que eu trouxesse o livro do Murilo Rubião (intuição? pode ser). E foi o que fiz depois de anotar a indicação recebida. 
Bem O pirotécnico está bem velhinho (1)  e está bem pior do que o Knulp, mas eu sou brasileira sim. Trouxe o livrinho pra casa. Higienização feita, vamos à leitura. O primeiro conto é exatamente o que dá título ao livro. E ao terminar de ler acho que vou concordar com a resenha da Katrina lá no Skoob: "Resumindo: Murilo Rubião é um mineiro muito doido que criou um mundo a parte e tacou os personagens dele ali, ao Deus dará. Não tão abandonados, claro. Colocou um pouquinho de faz de conta, um pouco da realidade brasileira quase fantástica de tão absurda.
É quase um Cortázar tupiniquim."

Uma coisa que aconteceu comigo durante a leitura foi não conseguir passar de um conto a outro de imediato. Precisava de pausas, era como se tivesse que mudar de cenário, tal qual o entre atos de uma peça. 

Todos os contos são bem bons, mas Bárbara foi o que mais gostei, e depois O ex-mágico da Taberna Minhota.

(1) Fico tentada a repor o livro para a biblioteca.

Grifo:

Uma frase que escutara por acaso, na rua, trouxe-me uma nova esperança de romper em definitivo com a vida. Ouvira de um homem triste que ser funcionário público era suicidar-se aos poucos.



Título: O pirotécnico Zacarias
Autor: Murilo Rubião
Editora: Ática 
Pág: 64
Leitura: 08/01 a 10/01/2015
Tema: Fantasia
Data: Carnaval

Sinopse: O fantástico, como tudo, se rotiniza. Mas, sem ele, como inventar? Como, sem romper o ramerrão com a modificação inesperada, fazer fluir a fábula? A arte do mágico parece ser a de esconjurar a esterilidade sem sentido do mundo e propiciar a germinação do conto. O seu discurso, em que o desejo parece ter livre passagem, vencidos os obstáculos pelas modificações fantásticas, realiza uma trajetória abstrata e desligada das obrigações de verossimilhança realista. Próximo do mito, a sua transformação constante instaura o reino insólito onde tudo pode acontecer, mesmo as coisas mais absurdas."