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domingo, 6 de dezembro de 2015

CONCERTO CAMPRESTE

E no meio do caminho tinha um Maestro... 
Expectativas podem muitas vezes estragar uma leitura. Não faço a mínima ideia de como fui parar neste livro, lembro que depois de despertado o interesse li algumas resenhas no Skoob, de tudo que li foi a micro resenha do Daniel que ficou em minha mente "Obra que traduz um fiapo da história de Pelotas", e as frases "deleite para a alma" e  "acuidade e poesia" e "tão prazeroso quanto ouvir uma boa música". 
O livro é bom? Deve ser, mas não é o que eu esperava. E isto faz uma enorme diferença... 
O livro gira em torno de uma orquestra, um Maestro e seus Concertos Campestres... e daí surge um amor. 
O que não funcionou para mim foi a tal da história de amor, alguns autores têm a capacidade de antecipar o futuro, nos dar vislumbres do passado, de nos transportar para outras dimensões, mas outros não conseguem nem me fazer crer numa reles história de amor.


Título:  Concerto Campestre 
Autor:  Luiz Antonio de Assis Brasil
Editora: L&PM
Pág: 174
Leitura: 26/02 a 05/03/2015
Tema: Ganhadores de prêmios
Data: Natal
Sinopse:  A história de um amor proibido. A Lira Santa Cecília era o maior orgulho do Major. Em meados do século XIX, nas fronteiras vazias do pampa, um poderoso estancieiro mantinha uma orquestra particular. Entre a criadagem, o vigário, parentes e poucos amigos do vilarejo próximo à fazenda, ele ouvia embevecido os músicos executarem delicadas melodias para o seu deleite. 
Neste clima mágico e insólito, levado pela mão do grande romancista, o leitor se envolve numa trama de suspense, na história do romance impossível entre o Maestro – mestiço e sedutor – e a bela Clara Vitória, única filha do estranho Major da Guarda Nacional Antônio Eleutério Fontes.
Narrado com maestria e a suavidade de uma valsa que ecoa pela vastidão deserta do pampa, este Concerto Campestre arrebata o leitor com um enredo fascinante, que envolve violência, paixão, preconceitos e culmina num final emocionante, digno de uma grande história. 
*-* 




terça-feira, 11 de agosto de 2015

DENTRO DE UM LIVRO

02.08.15 _ Já que pegar livros ao acaso na prateleira funcionou tão bem  com Não temas o mal (leitura em andamento), ontem resolvi dar uma olhada nas prateleiras e resgatei de lá este Dentro de um livro. 


E ao final do primeiro conto já penso em separar o livro para doar à biblioteca, perdoem-me os apaixonados pela autora. 
Mas, ao chegar ao segundo conto que ainda não terminei porque releio pequenos trechos a todo momento, mudo de ideia no mesmo momento.

10.08.2015 _ Vez por outra compro livros que tenho muito pouca ou quase nenhuma informação, geralmente com alguma expectativa estapafúrdia tirada Deus sabe de onde. Não faço a mínima ideia do que esperava quando comprei esse livro aqui, mas lembro nitidamente de ter ficado extremamente decepcionada quando o livro chegou. E desde então (uns bons cinco anos ou mais)  estava  esquecido na prateleira. Isto sem contar a torcidinha de bico a cada vez que arrumava as prateleiras e deparava com o bendito. 

Tenho dito, com mais freqüência do que gostaria, que livro tem hora e data marcada, e sendo assim li essa coletânea de contos no tempo certo: leitura das mais prazerosas. Claro, tem um ou dois contos que não gostei, cheguei até a pular algumas páginas (três para ser exata), quando lá pelo meio do caminho empaquei na leitura de um conto que não me agradou absolutamente, aliás me desagradou. Mas, no conjunto a leitura foi puro deleite.
Por ser um livro de dimensões reduzidas, poucas  páginas e textos curtos  era ideal para carregar na bolsa. Por bom tempo mantive-me fiel à determinação de não ler o livro em casa, já que havia outras leituras esperando por esse tempo precioso, até chegar ao penúltimo conto quando não resisti e parei tudo para devorar os dois últimos contos. 

E aquela ideia de doar o livro para a biblioteca?! - talvez você me pergunte
Eu respondo:  Passou!  

Grifos (muitos): 
COMO ERA RIDÍCULO AQUILO: NINGUÉM receia um verso. Mas ele sim.
MEU NOME É HANS. Nasci numa família miserável, e miserável fui, por toda a vida. 
Sentada no vagão, observo as pessoas no seu vaivém de caras amuadas e olhares ausentes. Alguns desdobram jornais, leem livros, abrem revistas, ou de braços abertos, ocupam o próprio espaço e o do outro. 
 EU VOU DAR VÁRIAS VOLTAS PARA FALAR DO meu livro preferido.
Título:  [dentro de] um livro - contos
Autor: Diversos autores
Editora: Casa da Palavra
Pág: 149
Leitura: 01 a 10/08/2015
Tema: Língua mãe
Data: Dia da Língua Nacional

Sinopse: Dezessete autores e as mais diferentes visões de uma paixão comum a todos eles, aos leitores e à Casa da Palavra: os livros. Esta antologia reúne contos que exploram todo o universo literário, revelam as paixões que a ficção desperta e as delícias e torturas do ofício do escritor. Quem nos coloca dentro de um livro e dos mecanismos dessa obsessão são escritores com longa experiência no traçado e nomes que começam ainda a despontar.





segunda-feira, 3 de agosto de 2015

AS HISTÓRIAS DE TIA NASTÁCIA

Título: Histórias de Tia Nastácia
Autora: Monteiro Lobato
Editora: Globo
Leitura: 18/05 a 25/05/2015
Tema: Lendas  
Data: Mês do Folclore
Sinopse: 
Monteiro Lobato reúne neste livro o melhor das fábulas clássicas de autores como Esopo e La Fontaine ao lado daquelas saídas da imaginação popular. Tia Nastácia, que sabe contar casos e histórias como ninguém, vai revelando à turminha do Sítio tudo o que ouviu dos seus pais e avós durante a infância. E quando ela termina uma história, Pedrinho, Narizinho e Emília dão palpites e fazem seus comentários inteligentes. Nos 43 textos de Histórias de Tia Nastácia vamos encontrar narrativas para todos os gostos com reis, princesas, homens minúsculos e bichos fantásticos.

*****

Não vai acreditar! Mas, esta é a minha primeira leitura de Monteiro Lobato...
E que delícia de livro, tem gosto de infância. Me fez lembrar de minha vó, algumas histórias minha avó contava do mesmo jeito que tia Nastácia, do jeito do povo, a história oral passada de geração em geração. Outras, ouvia nos disquinhos e algumas eu li nos idos da infância. 

Ao final de cada narrativa  os moradores do sítio comentam rapidamente sobre as histórias, e alguns destes comentários causaram-me certo desconforto, acostumada que estou com os textos politicamente corretos. 

Tão gostoso de ler, que não queria que acabasse e relia algumas histórias. E queria dizer a toda gente: leia, leia, leia.

Histórias de Tia Nastácia foi minha zona de conforto durante a leitura de A vida em tons de cinza que me tocou tanto.





sábado, 1 de agosto de 2015

NOVAS LENDAS ORIENTAIS

Lembro do encantamento sentido quando li O homem que calculava, por isto quando vi estas Novas lendas orientais, do mesmo autor pensei reviver um pouco daquela magia. 
Infelizmente isto não aconteceu, esperando encontrar seres míticos e/ou lendários nestas curtas narrativas, deparo-me com parábolas nitidamente de cunho ético e moral. Não que tenha algo contra parábolas, eu até gosto bastante delas. Mas, achei meio decepcionante não encontrar nada do que esperava, ainda que alguns dos contos/parábolas fossem bem interessantes. Não há muito o que falar acerca deste livro e por isto acho que encerrarei por aqui.

PS. Não entenda, por Aaamor, que o livro é ruim, só não é o que eu esperava/procurava/precisava.

Sem grifos




Título: Novas Lendas Orientais 
Autor: Malba Tahan
Editoras: Editora Record
Pág: 208
Leitura: 03 a 13/06/2015
Tema: Lendas e Mitologia
Data: Mês do folclore
Sinopse: Novas Lendas Orientais - O professor de matemática Júlio César de Mello e Souza, conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, apresenta 14 histórias inspiradas no Oriente. Todo o imaginário sobre o mundo árabe - caravanas de beduínos, xeques, princesas e sultões - são trabalhados nestas belas lendas

domingo, 21 de junho de 2015

O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ

Não sou muito dada a correr atrás de livros apenas porque todo mundo está lendo e diz que é bom. Geralmente tendo a lançar um olhar atravessado e pensar cá comigo: tô fora! Preconceito? Talvez...
Mas de vez em quando alguma coisa chama a atenção. E foi assim com Por parte de pai. Quando vi o comentário da Nina no canal do YouTube, não resisti e lá vou eu atrás do livro. A consulta ao site da biblioteca me deixou bastante animada,  eles têm o livro no acervo e está disponível, ansiosa que sou fui logo no dia seguinte pegar o livro por empréstimo . Não encontraram o bendito: mas tem outro do autor aqui, disse a bibliotecária gentil. E foi assim que trouxe para casa um livro com uma capa horrorosa (penso eu), mas de uma escrita com delicadeza indescritível
É um livro triste, melancólico, mas sobretudo belo. Carregado de poesia. 
E eu que nunca me interessei pelo tal Vermelho Amargo, escrito pelo autor, me descubro encantada com escrita de Bartolomeu Carvalho de Queirós. E quem sabe eu não leia o tal Vermelho um dia? Isto depois que conseguir encontrar o Por parte de pai, claro! Afinal era atrás dele que eu estava.

E surpresa boa, o cara é mais premiado do que qualquer outra coisa, então... ele bem que poderia estar entre os ganhadores de prêmios. Mas, vamos deixá-lo representar a nossa língua mãe.


Grifos:
Com apenas meia vista meu avô vigiava seus sete filhos: Maria, Tereza, Júlia, Diva, Afonso, Jafé, e Joaquim. Tinha uma mais pequenininha, que se chamava Santinha, mas vou deixar de lado. Quando minha mãe morreu, a Santa foi morar lá em casa e transformou tudo num inferno.
"A cidade de meu avô se chamava Bom Destino. (...) O mundo deveria se chamar Bom Destino. É um nome bonito para quem está aqui só de passagem. Como somos todos passageiros, a terra toda deveria ser um bom destino. 

Título: O olho de vidro do meu avô
Autor: Bartolomeu Carvalho de Queirós
Pág.: 48
Editora: Moderna
Leitura: 15 a 18/06/2015
Tema: Língua mãe
Data: Dia da língua nacional
Sinopse:  É o homem que ainda guarda o olho de vidro do avô, mas é o menino que percorre com o leitor os caminhos de Bom Destino, cidade pequena e plana, cansada de tanta paz, em que o tempo parece escorrer mansamente. O avô reina misterioso: com o olho direito, via o sol, a luz, o futuro, o meio-dia, e, com o olho esquerdo, via a lua, o escuro, o passado, a meia-noite; o neto fascinado embrenha-se no mistério como quem não vê, que é o jeito de menino ver. O avô usa um olho de vidro. Como isso aconteceu, não se sabe: parece que o olho de vidro não existe se não se fala dele, mas para o menino, curioso e imaginativo, o olho de vidro provocava atração e receio. Aos poucos, o leitor pode recolher aqui e ali fragmentos da história do avô: ele receitava remédios homeopáticos, tinha sete filhos, um outro amor.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

O PINTOR QUE ESCREVIA



Não me pergunte como cheguei a este livro, porque não sei. Quando decidi procurar opções de livros na biblioteca, cheguei a este, mas não lembro o que buscava. 
Será minha primeira leitura de um livro de Letícia Wierzchowski. Da autora tenho na pilha esperando há algum tempo: Sal. Mas, este Pintor me chamou a atenção e vamos a ele. 

A narrativa começa bem fluída e a leitura corre de maneira muito boa. A história começa na década de 1950 e em seguida dá um salto para a década de 1970. Algumas vezes, o tempo histórico não me convencia totalmente. Era como se eu estivesse em um baile à fantasia.  
Embora o livro seja bem curto a partir de determinado ponto a leitura emperrou e não conseguia avançar. Livro errado no momento errado? Não sei.  E cheguei ao final mais como uma forma de me livrar logo do livro que de saber o final da história, uma pena porque começou muito bem. 
Se você já leu me conta como foi a leitura para você.  Mas, se você não leu não desista da história tem resenhas bem positivas no Skoob. Talvez eu não esteja mais acostumada a ler histórias de amor...

PS1: Lembrei. eu encontrei este livro da Letícia enquanto procurava os ganhadores de prêmio.

PS2. Ah! Faltou dizer que a história de amor (possível/impossível/ardente/caliente) não me convenceu.  Aliás, não a história, os motivos da história. Talvez amor não se explique, até se complique, mas...

Grifos:


A minha rinite e a minha alma, Zeca. Uma mulher louca, uma bela mulher e um pintor suicida.  Estamos muito bem, é uma bela combinação. Nem imagino o que aquelas telas podem estar guardando...
Um pintor que escrevia. A tela era sua página.
Por que conto isso agora? Talvez porque, hoje, eu pinte apenas para ter este lenço esticado.
Depois deste céu você quer um Valium?
De outro nicho, sai correndo uma barata, assustada com aquela presença inconveniente e perturbadora.

Título: O pintor que escrevia: amor e pecado
Autora: Letícia Wierzchowski
Editora:  Record
Pág: 144
Leitura: a 13/01  a 20/01/2015
Tema: Casais
Data: Dia dos namorados

Sinopse: Duas pessoas apaixonadas e um pecado que transforma suas vidas são os protagonistas de O Pintor que Escrevia , novo romance de Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres . Em O Pintor que Escrevia , a autora conta a história de Marco Belluci, pintor italiano que se refugiou no Brasil durante a Segunda Guerra e suicidou-se sem explicações. Belluci deixou muitos quadros, que foram encaixotados e assim permaneceram por muito tempo. Vinte e um anos depois da morte de sua morte, um conhecido marchand ao avaliar sua obra, descobre textos escritos atrás de cada tela, que revelam um amor que custa crer que tenha existido.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O AMANUENSE BELMIRO

Título: O amanuense Belimiro 
Autor: Cyro dos Anjos
Pág.: 218
Editora: Abril Cultural
Leitura: 13/04 a 23/05/2015
Tema: Língua mãe
Data: Dia da Língua Nacional
Sinopse: 
A história de um homem sentimental, tolhido pelo excesso de vida interior. Belmiro chegou quase aos quarenta anos sem nada ter feito de apreciável. Rememora sua infância e adolescência, buscando encontrar-se. Massacrado por um cotidiano vazio e sem sentido, rabisca seu diário em busca de uma ponte entre a realidade e o sonho. No retrato desse burocrata lírico, um dos maiores sucessos da literatura brasileira.


*****

O amanuense Belmiro é um destes livros que sempre despertou a minha curiosidade, então fiquei bem contente quando  descobri que a biblioteca tinha o livro em seu acervo. Título devidamente anotado levei algum tempo  em outras buscas e outras leituras, até chegar a este livro aqui.  

Os capítulos curtos da história narrada como um diário do amanuense  fluem rapidamente, e se levei tanto tempo foi por falta de determinação e por deixar-me interceptar por outras leituras que encontrei pelo caminho. Já estava lendo Os catadores de conchas, livro robusto, também da biblioteca. Tive que priorizá-lo, então. Acabei devolvendo o Amanuense  à biblioteca, para só então... mas, aí surgiu A vida em tons de cinza, que despertou minha curiosidade e resolvi tirá-lo da prateleira. Pensei em alternar as leituras, mas  não funcionou,  os dois livros exigiam de mim  dedicação quase exclusiva.  

A história de Cyro dos Anjos muitas vezes fez-me lembrar de Guilhermino de A indesejada aposentadoria de Josué Montello, outras me fez lembrar de algum modo do Machado de Assis. Há aqui um misto de ironia com um que de melancolia, que me fez lembrar dos dois.

A recomendação de sempre, se está atrás de arroubos, voltas e reviravoltas, com pitadas de emoções fortes  poderá não gostar de um livro onde o personagem principal tem uma vida madorrenta, como ele mesmo diz.  Mas,  eu gostei muito.

Grifos:
Sou um grande amanuense. Um burocrata!
Pus-me a andar na companhia de literatos e a sofrer imaginárias inquietações.
Os amigos são tão raros que precisamos conservá-los a todo custo.
Quando encontro, em alguém, cinco por cento de afinidade, contento-me com esses cinco por cento.


domingo, 10 de maio de 2015

ESAÚ E JACÓ

Ler Machado para mim é sempre, no  mínimo, inspirador. E puro deleite!
Lembro que comprei este pequeno livro (a edição é de bolso, ora bolas!) tão logo acabei de ler Memorial de Aires para o meu primeiro Desafio Literário, lá em 2013. Encantada com Aires e sabendo que ele apareceria neste aqui, corri para comprá-lo. Contraditoriamente ficou na pilha todo este tempo à espera do momento certo. Porque livro tem isto, tem dia e hora, como um encontro marcado, pra que tudo corra bem.

Confesso que gosto mais do Memorial. mas este aqui também é interessante. Inspirado na narrativa bíblica de Esaú e Jacó, Machado nos traz aqui Pedro e Paulo, que aparecem bem menos do que pensei, o Conselheiro tem um papel preponderante nesta história e é ele que dá o tom ao livro, pelo menos para mim. 


Acho que não gosto do viés romântico, que perpassa o texto.  Tenho que refletir um pouco mais sobre o assunto, ou talvez uma releitura me faça chegar a uma opinião mais conclusiva.

Uma das coisas boas de ler Machado é que ele retrata  a sociedade de sua época, neste por exemplo há pinceladas sobre o famoso Baile da Ilha do Fiscal, da Proclamação da República... 


Não foi uma leitura rápida, mas foi divertida. 


Título: Esaú e Jacó 
Editora: L&PM 
Pág. 255
Leitura:  27/03 a 11/04/2015
Tema: Língua Mãe
Data comemorativa: Língua Nacional
Sinopse: Como no episódio bíblico que dá título ao romance, os gêmeos Pedro e Paulo, pertencentes à alta burguesia carioca, desde a infância se mostram opostos e rivais em tudo. já rapazes, apaixonam-se pela mesma mulher,  o que só agrava os embates entre eles. entremeada a esse enredo, há ainda a visão crítica que tem Machado de Assis do cenário político do Brasil às vésperas da Proclamação da República

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CARTAS A UM JOVEM ESCRITOR

Frequentar bibliotecas sempre pode representar gratas  e boas surpresas. Como este livrinho espirituoso,
que encontrei por acaso. 

As cartas do Mário de Andrade ao Fernando Sabino são uma delícia de ler e logo no começo penso que é o tipo de livro que pede um lápis e um bom marca-texto para os muitos grifos e apontamentos, que gostaria de fazer. Mas, sou uma pessoa responsável e oxalá devolverei  o livro tal e qual me entregaram. Mas não me furtarei a ideia de adquirir o meu para leituras e releituras futuras. 

O livro é esgotado e me faz pensar sobre quem hoje em dia, senta-se para escrever e ler cartas, de três, quatro páginas. Não tenho tempo, muitos dirão. Todos muito ocupados. Os emails devem ter três palavras e se possível ser esquecidos, quem tem tempo de responder? O negócio é encaminhar toda a tralha que chega na caixa postal e assim meu amigo vai ver que não esqueço dele. (ahn? como assim? eu me pergunto, mas é o que geralmente acontece). Uma pena... e então já que não recebo mais cartas, leio com prazer estas aqui, escritas pelo Mário para o Sabino que são  espirituosas e dão conselhos, bons conselhos. E é como ele mesmo diz um animador que muitas vezes desanima. 

RECOMENDADÍSSIMO! 

Grifos:


não esqueça nunca que a língua é que faz a gramática e não a gramática que faz a língua.  [e no Brasil contemporâneo gramática se faz é com lei!]
Você me pede que lhe aconselhe algumas leituras... Isso é difícil como o diabo, mé'irmão. Não sei bem o que já leu... Bem você já leu Catherine Mansfield? Já leu Rilke? Como atualização do seu ser artístico você precisa ler bastante esses dois.
Ler os brasileiros... Meu Deus! aqui também entra a noção de dignidade do indivíduo, Me parece um pouco canalha a gente conhecer Anatole France e não ter lido as Carta Chilenas.
E, já falei, creio, você precisa muito de ler Machado de Assis, mas ler com reler, roubando ele, plagiando ele, não no estilo nem no espírito mas na delicadeza de sentimento. 
As leituras imprescindíveis não podem ser "devoradas".

Título: Cartas a um jovem escritor
Autor: Mário de Andrade
Pág: 226
Editora: Record
Leitura: 28/01 a 
Tema: Língua-mãe
Data comemorativa: dia da Língua Nacional (21 de maio)

Sinopse: Para um jovem escritor mineiro de Belo Horizonte, significava verdadeira consagração receber em 1942 uma carta nestes termos de ninguém menos que Mário de Andrade, monstro sagrado como Papa do Modernismo. Suas palavras constituíram extraordinário impacto para Fernando Sabino, então apenas com 18 anos de idade. E os contos do seu primeiro livro a que elas se referiam, Os grilos não cantam mais , vinham sendo concebidos desde os quatorze anos. Com o entusiasmo de sua juventude, Fernando Sabino respondeu emocionadamente, nascendo daí entre os dois, apesar da diferença de idade, uma amizade através de intensa correspondência que durou até a morte do grande escritor paulista em 1945. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

SABORES INCONSCIENTES

Outro dia eu comentei, com o Regi, que quando a gente entra num Desafio pra valer, o universo conspira e até as leituras não programadas acabam servindo. E foi o que aconteceu com este livrinho saboroso que me apareceu por acaso, e que comecei a ler também por acaso. 

Depois de ler O pintor que escrevia (que não funcionou muito bem) e O castelo dos Carpátos (que funcionou mais ou menos) eu queria ler algo gostoso e relaxante, uma leitura amena. E tentei vários que não saiam da primeira, segunda página. E aí parei neste. Ah, meu Deus, que delícia de livro! E não é apenas por causa das receitas,  é por causa das memórias. 
E eu pensei cá comigo não vou me furtar à oportunidade de usá-lo no Desafio, claro que não. E eis mais um livrinho para o mês da Língua Mãe. 

Quero ler devagar, mas um capítulo puxa outro, que puxa outro. Tento lembrar do conselho para Mário para o Fernando, que disse que os bons livros não devem ser devorados. Não funciona.

Só um não me agradou, tem um ranço de preconceito, e não parecia verdadeiro. Aliás nem parecia memória, parecia história (de pescador). Nem merece comentário.

E pra variar é mais um que vai para a lista de compras. (aff!)


Título: Sabores Inconscientes
Organizadora: Cybelle Weinberg
Editora: Sá Editora
Pág. 208
Leitura: 29/01 a 06/02/2015
Tema: Língua Mãe
Data comemorativa: Língua Nacional
Sinopse: Reunião de contos e relatos escritos por psicólogos e psicanalistas, na qual o tema é a culinária, ou seja, os pratos que ficaram na lembrança de cada um, em etapas diferentes da vida.Os relatos se dividem entre os sabores ternos da infância; os intensos, da adolescência; os picantes, da maturidade; e, ainda, os sabores transmitidos de geração a geração.
Cada autor fornece a receita de seu prato, num convite ao leitor para participar do "banquete de letras".O livro forma um painel da memória sensorial, abrindo portas para outros conhecimentos e descobertas acerca de nós mesmos.

UM PATAXÓ EM CHICAGO

Há séculos que acompanho/acompanhava  as crônicas e editorias do Hélio Pólvora no Jornal A Tarde, adoro os links que ele costuma fazer entre o cotidiano e a literatura. Seus escritos estão repletos de referências literárias, o que de cara já me conquista.

Comprei este livro numa pequena feira que encontrei por acaso  em uma praça da cidade, num domingo de um mês qualquer. E estava na pilha desde então. 

E quando terminei de ler O pirotécnico Zacarias, pensei em uma leitura totalmente diferente, algo mais ameno. E fui olhar o que estava a esperar nas prateleiras e eis que encontro este Patoxó em Chicago, pego para dar uma olhada e já me encanto na primeira crônica. Será que vai? Vamos ver... 

A leitura foi interceptada pelo livro da Mansfield, e depois pelo livro da Rosamunde, mas nem por isto tirou o encantamento deste aqui. 

E vou atrás de outros títulos para encantar-me com esta escrita assim persuasiva e encantadora,   pena que é tão pouco conhecida longe destas plagas baianas. Foi uma leitura pausada, mas carregada de sentimento e enlevo, realmente me deleitei a cada crônica lida, degustada. 

Em 1982 e 1986 o autor ganhou o prêmio Nestlé de Literatura.

O autor faleceu este ano em 26 de março de 2015.

Grifos: 
Aviso aos navegantes: no litoral sul baiano, Km 31 da rodovia Ilhéus/Una, o paraíso os espera. 
Dizia Eduardo Frieiro que o livro tem dois inimigos mortais as traças e as viúvas. 
 

Título: Um Pataxó em Chicago 
Autor: Hélio Pólvora
Editoras: EBDA/FACCEBA
Pág: 210
Leitura: 10/01 a  26/02/2015
Tema: Língua mãe
Data: Lingua nacional

Sinopse: Crônica é prosa tipicamente brasileira. Nasceu em jornal, comentando os fait-divers, e ganhou estrutura literária em livro- com irreverência, erudição, lirismo, imaginário solto e alguma molecagem.

domingo, 1 de março de 2015

BAGAGEM


Quando nasci um anjo esbelto, 
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira. 

Assim começa este livro de poemas... 
"Acho" que nunca li Adélia Prado e não me pergunte porque a escolhi para compor minhas leituras para o Desafio do mês de março, o mês da mulheres, porque eu acho que  não sei. Primeiro eu absolutamente  não sou a melhor leitora de poesia que existe, aliás eu nem sou leitora de poesia. Então,  por que?  Lembro que pensei em escolher escritos/escritoras que tivessem um olhar/falar feminino  ou sobre o feminino. E a figura de Adélia sempre me remete a isto, então talvez este seja o motivo. Talvez alguém pense que seja porque poesia se lê rapidamente, não para mim!

Trouxe Bagagem e O pirotécnico Zacarias quando fui devolver o Knulp. 
Começo a ler os poemas planejando ler um pouco a cada dia, dizem que poemas não se deve ler de uma sentada, mas um poema puxa outro e mais outro e quando dou por mim já ando a meio. E depois tudo se repete, e o livro acaba. Gosto dos poemas, mas não me sinto particularmente tocada como deveria ser quando se lê poesia, afinal poesia é escrita para/pela alma;  necessita de musicalidade, e minhas escassas leituras poéticas carecem de. 

E provavelmente quando eu publicar este post, já devo ter esquecido quase tudo que li. Deprimente! :(

A Adélia ganhou o Jabuti em 1978. 

Gosto particularmente:
IMPRESSIONISTA
Uma ocasião, meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante
Por muito tempo moramos numa casa.como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo.

Título: Bagagem 
Autora: Adélia Prado 
Editora: Record 
Pág: 143
Leitura: 08/01 a 11/01/2015
Tema: Escritoras  (livro escrito por mulher) 
Data: 08 de março (internacional da mulher)
Sinopse: O livro Bagagem, foi a primeira publicação de Adélia Prado, de 1976, por indicação de Carlos Drummond de Andrade. Declaração da autora sobre a obra: "Meu primeiro livro foi feito num entusiasmo de fundação e descoberta nesta felicidade. Emoções para mim inseparáveis da criação, ainda que nascidas, muitas vezes, do sofrimento”. Os poemas mostram sua profunda religiosidade e o amor pelas coisas simples da natureza.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O PIROTÉCNICO ZACARIAS

Depois de trazer para casa Bichos, de Miguel Torga, que não rolou. Resolvi investigar um pouco melhor minhas possibilidades de leitura. E analisando minha lista de desejados na Estante Virtual me aparece este Pirotécnico. Mas, do que mesmo ele trata? Não lembrava mais, as investigações dão conta de que é uma fantasia surrealista. Não faço a mínima ideia do que seja, mas vá lá é fantasia e é disto que eu preciso. 
E lá vou eu pesquisar no site da biblioteca,  e sim eles têm o livro, e sim está disponível. Vamos devolver os tais Bichos do Torga, e trazer o Pirotécnico. Primeira dificuldade, a leitora que estava lá achou que o livro ia não render. Por outro lado, estava muito velho, caindo aos pedaços. Melhor trazer o Pássaro de prata, de Joyce Petschek. Que depois que vi a capa e dos trechos que ela leu para mim fiquei bem tentada. Mas, alguma coisa me dizia   para que eu trouxesse o livro do Murilo Rubião (intuição? pode ser). E foi o que fiz depois de anotar a indicação recebida. 
Bem O pirotécnico está bem velhinho (1)  e está bem pior do que o Knulp, mas eu sou brasileira sim. Trouxe o livrinho pra casa. Higienização feita, vamos à leitura. O primeiro conto é exatamente o que dá título ao livro. E ao terminar de ler acho que vou concordar com a resenha da Katrina lá no Skoob: "Resumindo: Murilo Rubião é um mineiro muito doido que criou um mundo a parte e tacou os personagens dele ali, ao Deus dará. Não tão abandonados, claro. Colocou um pouquinho de faz de conta, um pouco da realidade brasileira quase fantástica de tão absurda.
É quase um Cortázar tupiniquim."

Uma coisa que aconteceu comigo durante a leitura foi não conseguir passar de um conto a outro de imediato. Precisava de pausas, era como se tivesse que mudar de cenário, tal qual o entre atos de uma peça. 

Todos os contos são bem bons, mas Bárbara foi o que mais gostei, e depois O ex-mágico da Taberna Minhota.

(1) Fico tentada a repor o livro para a biblioteca.

Grifo:

Uma frase que escutara por acaso, na rua, trouxe-me uma nova esperança de romper em definitivo com a vida. Ouvira de um homem triste que ser funcionário público era suicidar-se aos poucos.



Título: O pirotécnico Zacarias
Autor: Murilo Rubião
Editora: Ática 
Pág: 64
Leitura: 08/01 a 10/01/2015
Tema: Fantasia
Data: Carnaval

Sinopse: O fantástico, como tudo, se rotiniza. Mas, sem ele, como inventar? Como, sem romper o ramerrão com a modificação inesperada, fazer fluir a fábula? A arte do mágico parece ser a de esconjurar a esterilidade sem sentido do mundo e propiciar a germinação do conto. O seu discurso, em que o desejo parece ter livre passagem, vencidos os obstáculos pelas modificações fantásticas, realiza uma trajetória abstrata e desligada das obrigações de verossimilhança realista. Próximo do mito, a sua transformação constante instaura o reino insólito onde tudo pode acontecer, mesmo as coisas mais absurdas."