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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

QUARTO DE DESPEJO

Não posso dizer, como tanta gente, que nunca havia ouvido falar de Quarto de despejo, havia sim. Mas não sabia do que se tratava e confesso que não chamou a minha atenção. E quando virou modinha torci o bico como sempre faço.

Mas aí me surgiu um vídeo feito pela Camila Navarro no canal Viaggiando que fez com que eu corresse atrás do livro, ainda assim dei uma pesquisada nas estantes e comentários de amigos para certificar-me de que o livro era para mim. 

E num sábado de muita chuva e uma certa indisposição lá se vai eu à biblioteca que descubro que depois de três semanas continua fechada, sabe Deus porque. E então corro à Juracy Magalhães, onde encontro o livro. E naquele mesmo dia chuvoso eu começo a ler o livro da Carolina de Jesus. Não li tão rapidamente quanto gostaria porque esta foi uma semana bastante atribulada. 

Um livro impactante e necessário, e durante a semana em que o li todos os meus amigos e familiares tiveram que aguentar a falação sobre Carolina de Jesus. Penso que a última vez que fiz isto foi quando li Arroz de Palma, do Francisco de Azevedo (infelizmente, porque indica que já faz um bom tempo que não lia um livro que me tocasse tanto).
Não posso dizer que foi um tapa na cara, para mim tapa na cara é em 2016 eu ter medo de um menino de dez anos, quando cruzo com ele na rua. Ou quando passo pelo centro da cidade à noitinha voltando do trabalho e vejo pessoas revirando o lixo em busca de comida. 


VIDEO DA CAMILA NAVARRO 


Grifos:
Li um pouco. Não sei dormir sem ler. Gosto de manusear um livro. O livro é a melhor invenção do homem.
Senti o cheiro de álcool. Pensei ele está bêbado Um menino de 9 anos. O padrasto bebe, a mãe bebe e a avó bebe. E ele é quem vai comprar pinga. E vem bebendo pelo caminho.
O que eu fico admirada é das almas das favelas. Bebem porque estão alegres. E bebem porque estão tristes.
A única coisa que não existe na favela é solidariedade
Para saber mais:

Quarto de despejo: diário de uma favelada -  A escrita como válvula de escape
A escrita de Carolina Maria de Jesus: do quarto de despejo para o mundo


Título: Quarto de Despejo: diário de uma favelada
Autor: Carolina Maria de Jesus
Editora: Ática
Pág.  176
Leitura: 18 a 26/06/2015 
Tema: Autor brasileiro
Sinopse: A voz do povo: essa expressão figurada se torna concreta nas páginas de Quarto de despejo. Nesse livro, o cotidiano cruel dos favelados se apresenta por ele mesmo, nas suas próprias palavras. Com a linguagem simples de que dispõe, a autora conta o que viu e viveu, sem artifícios ou fantasias. Mas, ao mesmo tempo, com um estilo único que comove pela força de seu realismo e sensibilidade. Carolina de Jesus foi catadora de papel e viveu na favela do Canindé. É a condição humana dos miseráveis que traduziu em sua obra, um exemplo autêntico de literatura-verdade.


domingo, 28 de agosto de 2016

PERSÉPOLIS


Persépolis me interessou por causa dos comentários da Gláucia, e sempre imaginei que um dia o leria. Às vezes pensava em pedir o livro emprestado, mas acabava declinando da ideia, lá no fundo achava que não ia gostar. 

Mas aí veio o Clube de Leitura com a ideia de ler o livro em agosto, e penso chegou a hora. Pois então, num dia qualquer do mês de agosto resolvo começar a leitura que deve ser rápida, afinal é uma HQ. E eu li Parafusos em dois ou três dias, e com este não devia ser diferente... Pois, pois.

Demorou para pegar, eu lia umas poucas páginas e largava para lá . Não ia. Depois fluiu melhor, mas aí quanto mais eu lia, mas parecia distante do fim. E a porcaria não tem páginas numeradas(afff!!!).  Olho quanto já li: trinta por cento? será que aqui já dá quarenta?  Começo a contar as páginas e desisto. Volto a ler. Não acaba nunca.

Mas por que tanta gente gostou e eu não? Me pergunto a todo mundo. A resposta? Vai saber!...
Sei que não sinto simpatia/empatia pelo personagem. E aí mato a charada. É uma biografia pois não? Então porque penso na Marjane como um personagem? Alguma coisa não funciona para mim. E ainda tem o agravante que fico comparando com Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi. Ou seja fiz tudo errado com esse livro: não me deixei levar, comparei-o com outro e no fim tive má vontade. 

E depois de ler quase metade do livro lembro que ele poderia estar entre as opções de leitura para o mês das biografias no Desafio Literário.  

Grifos:
Quando vier uma onda grande, abaixe a cabeça e deixe ela passar. 
Jamais falávamos de guerras ou de morte, os assuntos preferidos dos meus amigos do Liceu. 
Naquele dia aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos quando ainda é possível suportar a infelicidade. 


Título: Persépolis
Autor:  Marjane Satrapi
Editora:  Companhia das Letras
Pág: 352
Leitura:  08/08 a 19/08/2016
Tema: Biografia
Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.
Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.
Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.