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sábado, 21 de janeiro de 2017

SEU IBRAHIM E AS FLORES DO CORÃO

Tempos atrás vi/ouvi falar muito desse Seu Ibrahim e as flores do Corão. 
Confesso que em tais situações divide-se em mim dois tipos de sentimento: 
- Um que é a curiosidade, o tal do "como será?"
- O outro é o medo: "será que é bom mesmo?" E se for honesta direi que tem um terceiro sentimento: "vai ver que é uma boa porcaria."


Nem sempre resisto, e muitas vezes depois de refletir e pesar prós e contras acabo comprando o "maledeto" que invariavelmente junta-se aos outros tantos que aguardam na pilha de livros por ler. Não foi diferente com esse aqui

Peguei o livrinho (é um livrinho mesmo, um conto talvez) um sem número de vezes e depois de uma ou duas páginas fecho o bendito pensando:
1. Que negócio mais chato!
2. O que é que viram aqui?

Até que um dia depois de insistir com uns certos Fidalgos resolvo que mereço tentar outra coisa e numa rápida olhada nas prateleiras em busca de livro encalhado retiro de lá o Sonho de uma noite de verão, comédia do bardo, e mais esse Seu Ibrahim que descubro desta vez que é uma delícia e que me faz dar um riso aqui e outro ali. Um livrinho delicioso e que apesar de tão pequeno tem tanto por dizer.

Um livro sobre amizade...

Grifo
  Esse lugar aqui é pobre, Seu Ibrahim? 
- É sim, é a Albânia. 
- E ali? 
- Pare o carro. Está sentindo? Tem cheiro de felicidade, é a Grécia. As pessoas estão imóveis têm todo tempo do mundo para nos ver passar Sabe, Momô, trabalhei a vida inteira, mas trabalhei lentamente, sem pressa nenhuma, não queria só ter lucro ou ver os fregueses entrando e saindo. A lentidão é o segredo da felicidade.
Título: Seu Ibrahim e as Flores do Corão
Autor:  Eric-Emmanuel Schimitt
Editora:  Nova Fronteira
Pág: 80
Leitura:  14 a 12/01/2017
Sinopse: Na Paris dos anos 60, um encontro improvável mas precioso revela uma mensagem universal. Momô, um garoto judeu de 12 anos, e seu lbrahim, velho árabe dono da mercearia da rua Azul, tornam-se grandes amigos depois da visita inusitada de Brigitte Bardot. Desse dia em diante, nada mais seria fortuito nos destinos do velho e do menino. A primeira lição que Momô aprende com seu novo amigo é que não há uma muralha permanente entre seu mundo e o dos adultos, como ele acreditava: a vida é muito mais feliz quando seu lbrahim está por perto. Nas situações mais simples do cotidiano, o velho árabe transmite ao menino a sabedoria mística do islã, sem usar de doutrinas ou pregações. Ao mostrar-Ihe o essencial da vida e despertar nele o desejo da experiência, seu lbrahim faz com que o menino descubra a si mesmo e os horizontes de sua própria juventude. Seu lbrahim e Momô desbravarão o mundo. E não serão apenas amigos, como pode parecer à primeira vista. Esse é apenas mais um dos ensinamentos de seu lbrahim. As aparências realmente enganam: o homem velho não é árabe, a rua Azul não é azul e o menino talvez não seja judeu. Seu lbrahim e as flores do Corão é uma fábula encantadora, surpreendentemente cômica e filosófica, que mistura algumas das questões mais fundamentais da existência humana com situações inusitadas do dia-a-dia. Escrita com estilo e simplicidade por Eric-Emmanuel Schmitt, premiado autor francês, a história do velho árabe e do menino judeu é atualmente um dos livros de maior sucesso de público e crítica em toda a Europa e, em breve, chega também às telas de cinema do mundo inteiro, com o ator Omar Sharif no papel de seu Ibrahim.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA

Já falei aqui do documentário sobre Camus, que assisti no  canal Art1, e que tanto me impressionou. Lembro de ficar encantada com os leitores entrevistados, gente comum falava sobre Camus:  um padeiro, um carteiro, um policial,  e não apenas literatos, especialistas e coisas do gênero. Não havia ali teses acadêmicas ou críticas literárias, havia simplesmente gente comum (o leitor comum, parafraseando a Viriginia Woolf). Ontem enquanto assistia a entrevista de Dinho*, o autor de Rio em Shamas, ele dizia que no nosso país enquanto os filhos de pais de uma classe mais privilegiada está lendo um livro, o filho do pobre está empurrando carrinho de mão, porque ele é preparado para trabalhos braçais. Nada contra o trabalhador braçal, mas é triste ver que até este pequeno prazer (o da leitura) lhes é negado. 

Mas deixemos o Camus de lado e vamos ao que interessa. O livro A sociedade literária e a torta de casca de batatas é um romance epistolar com uma narrativa simples, que provavelmente encanta os amantes dos livros e da leitura. As carta trocadas principalmente por Juliet Ashton e Dawsey Adams falam de gente e livros, gente comum diga-se de passagem, tipo aqueles apaixonados por Camus. E é isso, também, que torna A sociedade literária e a torta de casca de batatas tão encantador para mim. 

Confesso que a primeira leitura não foi tão prazerosa quanto esta, se antes aqui e ali a leitura emperrou muitas vezes, o mesmo não aconteceu desta vez. Consegui perceber o que havia me incomodado anteriormente, mas desta vez estava menos crítica e mais receptiva ao texto e à narrativa. Foi um tempo deveras interessante. 

A releitura foi logo após a leitura de Quatro cartas de amor, o que me fez permanecer na Ilha de Guernsey por mais tempo. 

http://pt.allexciting.com/food-festival-guernsey/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guernsey




Título: A sociedade literária e torta de casca de batatas
Autor:  Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
Editora:  Rocco
Pág: 304
Leitura:  11 a 23/10/016
Sinopse: 'A sociedade literária e a torta de casca de batata' é um romance epistolar, encenado nas longínquas ilhas Guernsey, no Canal da Mancha, após a Segunda Guerra Mundial. Escrito pela bibliotecária e livreira que estreou na literatura com mais de 70 anos, Mary Ann Shafer,  com apoio da sobrinha, Annie Barrows, o livro é uma celebração da vida através da literatura.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

CAÇADORES DE BONS EXEMPLOS


Minha mãe é fanática pelo programa Como será,  da Rede Globo. E aí temos um problema eu quase não vejo televisão e muito menos a Globo. Mas foi assim que descobri esses Caçadores de bons exemplos.

Confesso que sou desconfiada com tudo que aparece ou é dito na TV.   
Ainda assim resolvi dar uma chance,  aí baixei uma amostra no Kindle e nem abri. Até que não sei bem porque comprei o livro e foi mais um para a pilha. Mas bendito Vargas Llosa que me fez procurar leituras mais prazerosas. E foi assim que saquei das prateleiras esse Caçadores de bons exemplos. Livro que tem aquecido minha alma e molhado minha face... É talvez eu esteja sendo melodramática, mas é o que tem acontecido por aqui. 

Os poucos que acompanham esses escritos sabem que no final do ano gosto de leituras que acalentem a alma e aqueçam o coração. E "vamo" combinar o livro do Llosa (A sociedade do espetáculo)  pode ser tudo menos acalentador. E encontrar um livro recheado de histórias de gente que promove o bem é inspirador.  Existirá forma melhor de concluir o ano? Para mim não. 
Esse livro era destinado ao Desafio "vamos baixar pilha" lá do Goodreads. 

Grifos: 
Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e a rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez. A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós deseja segurança, amor, paz e felicidade. Contudo, às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. A tribo se une, então, para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, até que ele se lembre da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: “Eu sou bom.” Sawabona Shikoba! Sawabona é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: “EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM.” Em resposta, as pessoas dizem Shikoba, que é: “ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ"
Amar o outro, mesmo que você não concorde com ele.
Aprendemos que não devemos interFERIR nas comunidades. Isso fere! Toda mudança tem que ser de dentro para fora. Não adianta implantar nada que a comunidade não sinta que é seu. Devemos inFLUEnciar. Deixar fluir! Fazer com que as pessoas tenham uma visão global, porém com impacto local. Isso é ajudar o próximo que está próximo! Isso é transformAÇÃO

Título: Caçadores de bons exemplos  
Autor:  Iara e Eduardo Xavier
Editora:  Leya
Pág: 256 
Leitura: 01 a 25/12/2016  
Tema: Autor brasileiro, escolhe um livro ao acaso
Sinopse:  Em meio a tempestades de notícias ruins, os 'Caçadores de bons exemplos' nos mostram brasileiros que constroem um país melhor e fazem a diferença nas comunidades onde vivem. 
Cansados de ouvir notícias ruins, Iara e Eduardo resolveram tomar uma atitude. Sem patrocínio e nenhum vínculo religioso ou político, venderam o apartamento e saíram em uma viagem em busca de bons exemplos: pessoas que fazem a diferença na comunidade que vivem, executando algum projeto social. 
Eles acreditam que existem muito mais ações positivas do que ações negativas no mundo. Neste período, percorreram 225.806 km e catalogaram 1.150 projetos por todos os estados brasileiros. Agora, esta ação se transformou em uma grande mobilização para divulgação do bem, da qual participam milhares de pessoas pelas redes sociais. 
Colecionando histórias emocionantes e ideias inspiradoras, os 'Caçadores de bons exemplos' continuam na estrada, sempre movidos pelo desejo de descobrir uma sociedade mais humana, e mais ativa na construção de um mundo melhor para se viver.

domingo, 4 de dezembro de 2016

MILAGRE NA RUA 34


Sou do tempo em que nos finais de ano os canais de TV nos brindavam com filmes esperançosos e reconfortantes e isto em praticamente todo o mês de dezembro. Havia no ar um quê de magia, alegria e esperança que era maravilhoso. Visitávamos nossos amigos e eramos visitados por eles e todos ficavam contentes com estas visitas e manifestações de bem querer. Se havia problemas? Claro que havia. Mas no Natal todos acreditávamos:  no futuro, no ser humano, na vida. É estou ficando "véia", começo a dizer: "bons tempos aqueles". 

E foi o saudosismo que me levou a ver pela primeira vez o filme Milagre na rua 34, e depois disso eu o vi um sem número de vezes. Um filme que sempre me fez acreditar na magia do Natal. E qual não foi a minha surpresa ao dar com o livro no Skoob, e logo pensei em comprar. Mas aí descobri que o livro era de 1947, sinal de problemas, livro de mais de cinquenta anos combina com tudo menos com rinite.  Por diversas vezes eu o coloquei no carrinho de compras da Estante Virtual, para depois sair de mãos abanando com medo de topar com um livro velho, mofado e impossível de ler. Até que um dia não resisti e comprei o bendito. É sim um livro usado, com todos os sinais de manuseio, mas não está mofado, estragado ou coisa que o valha, e de modo algum foi publicado na década de 1940, talvez na de 70 ou 80. Não faço ideia de porque ele é sempre cadastrado como editado em 47. Vai entender...

Comprei-o no ano passado,  quando chegou já estávamos em janeiro 2016, e apesar da curiosidade reservei para as leituras natalinas. Pois é, sou das que leem livros de Natal no Natal. E que leitura saborosa foi essa que acabo de fazer. Uma história simples e singela que me leva refletir sobre o que é o Natal e sobre a minha capacidade de acreditar. Infelizmente não creio que muitos queiram se aventurar em histórias assim, vivemos num tempo em que para ser boa a história deve ter dor, quanto mais melhor, muito sofrimento e angústia, e se derramar um tanto de sangue é então o supra sumo. Indo contracorrente ando sempre à procura de livros que me alegrem o coração e aqueçam a alma.  E se aqui e ali me fizer rir, melhor ainda. Os dramas têm seu mérito, mas não em todas as horas. Vivo num tempo já muito dramático, então...

E o bom dos desafios é descobrir novas possibilidades. Quando pensei em ler Milagre na rua 34, pensei apenas em meu projeto pessoal de leituras de final de ano. Mas aí  vi que podia encaixá-lo na Maratona Vamos Baixar a Pilha, que me pede para ler livro em que o enredo que se passe no Natal e ler um livro que tenha as cores do Natal na capa (Vermelho e/ou Verde). Bem esse aí serve para os dois. Mas ele também serve para o Desafio Literário do Skoob que tem como meta de dezembro ler um livro com nome de lugar no título. 

Para saber mais:
https://en.wikipedia.org/wiki/Valentine_Davies

Grifo: 
O Natal não é apenas uma data. É um estado de espírito. É isso que tem mudado.

Título: Milagre na Rua 34
Autor:  Valentine Davies
Editora:  BestBolso
Pág: 117
Leitura:  29/11 a 04/12/2016
Tema: Nome de lugar, Natal e Capa Vermelha
Sinopse: Milagre na Rua 34 é um livro inspirador, que conta a história de uma menina que foi criada para não acreditar em milagres. Mas quando aparece em sua cidade um velhinho que afirma ser o verdadeiro papai noel, seu ponto de vista se transforma completamente.  

sábado, 3 de dezembro de 2016

RUA DO OUVIDOR, 110

Já disse aqui que não faço resenhas, não sei fazer e também não me dediquei muito a aprender a fazê-las. Mas quando encontro um livro que me encanta como este sinto que ele merecia mais que alguns comentários aleatórios e esparsos desta leitora aqui, ainda que uma leitora encantada/maravilhada ou que adjetivo queiramos usar. É o caso deste Rua do Ouvidor 110. Que confesso não lembro como descobri, lembro de quando comprei e do deslumbramento ao colocar as mãos num livro tão bonito, que folhei cheia de dedos e cuidado para que não estragasse. E pensei em guardar para ler no final do ano quando dedico-me leituras mais lentas e amenas. Mas não tive paciência para esperar e em um dia qualquer de julho apesar das muitas leituras em andamento pego o livro das prateleiras e começo a ler. 

O livro me encanta, nele encontro um pouco da biografia de José Olympio, da história da livraria e da editora, da história deste país e curiosidades sobre vários escritores como: Guimarães Rosa, Raquel de Queirós, José Lins do Rego (o Zé Lins), Jorge Amado...
Leitura das mais deliciosas, numa edição com algumas ilustrações e belas fotografias. 


Grifos 

A vida é feita de acasos; circunstâncias, contingências e acasos. (JO)
Planejava ele mesmo a arrumação das vitrines e inventou uma novidade para chamar a atenção:  cartões datilografados que destacavam frases e trechos das obras.
Creio que ela só não foi à Conchinchina e à Goma Arábica.
Há um ar de família naquela gente. Octavio Tarquínio deixa de ser ministro e Amando Fontes de ser funcionário graúdo. Vemos ali o repórter e víamos o candidato à presidente da República, porque José Américo aparecia algumas vezes. Lins do Rego é figura obrigatória. Marques Rebelo procura vítimas. Distribui veneno a presentes e ausentes. 

Título: Rua do Ouvidor 110
Autor:  Lucila Soares
Editora:  José Olympio  & Biblioteca Nacional
Pág: 203
Leitura:  20/07 a 14/08/016
Tema:  Nome de lugar no título
Sinopse:  Uma história da Livraria José Olympio , da jornalista Lucila Soares, neta do famoso livreiro e editor, narra o dia-a-dia da Livraria José Olympio, ponto de encontro dos grandes nomes da literatura brasileira dos anos 1930, 40 e 50. José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado (hoje, aliás, todos publicados pela José Olympio ou pela Record, editoras do mesmo Grupo) e tantos outros se encontravam na casa de livros da rua do Ouvidor 110, quase esquina com a avenida Rio Branco, para conversar sobre artes, política e a vida em geral. Todos esses relatos estão no livro de Lucila, que conta uma história que ela conhece desde menina - revisitada em oito meses de entrevistas e garimpo em acervos e bibliotecas. É uma elaborada e saborosa crônica que tem como pano de fundo o charme do Rio de Janeiro daqueles tempos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A VIDA NO CAMPO

  Quando assisti ao vídeo da Roberta no canal Flames o livro A vida no campo, do Joel Neto, logo me chamou a atenção. Não tenho me animado a comprar livros nos últimos tempos, mas neste caso eu não resisti corri ao site da Cultura para ver se estava publicado por aqui, ou se dava para encomendar, não dava. Então talvez quem sabe, exista ebook. Também não havia. :(

Resolvi esquecer e esperar, vai que um dia ele é publicado por aqui. Mas a mosquinha da ansiedade e inquietação ficava zumbindo no meu ouvido. Revi o vídeo, olhei os comentários no Goodreads e fui ao site da Wook, coloquei o livro no carrinho e depois olhei o câmbio. Aff! Retirei do carrinho. Mas dias depois não resisti comprei  o "bendito" assim mesmo. E assim que chegou li umas trinta páginas e era tão bom que fiquei com dó. Guardei o livro e pensei em ler ao final do ano quando gosto de ler livros que aqueçam a alma, porque esse é assim. 



Mas não conseguia resistir e agora que é perto da primavera retiro o livro da prateleira para ler e que delícia de leitura. Muitos trechos eu li e reli, às vezes reli capítulos inteiros (ou melhor dias, pois o livro é escrito em forma de diário). É tão bom de ler, que gostaria de indicá-lo a toda gente, mas nenhum livro (nem coisa alguma) agrada a todos infelizmente. 




Já penso em incluí-lo naquelas (re)leituras que sempre programo para o final do ano, como O vento nos salgueiros (que já ando relendo por aqui), o 84 Charing Cross Road e este ano está incluído neste planejamento O mistério de Natal, e quem sabe mais alguns. 



Grifos:
Do Ti José Nogueira não rezará a História. Quem mudou o mundo não foram os camponeses honestos, que pagaram seus impostos e encheram a igreja da freguesia no dia em que foram a enterrar. Dos aventureiros , dos inventores e dos facínoras - deles, sim, reza a História.Por isso se inventou a literatura. (logo na primeira página).
Só o que é íntimo me interessa. 
Está bem, não era Bing Crosby: era Michael Bublé. Mas que importa? É preciso estar-se muito infeliz para não se gostar do Natal.  Felizmente, nunca cheguei a não gostar do Natal - nem nos dias piores.Eu tive dias piores? Nem sempre me lembro. 
Só aí percebi: quando decide mostrar-se moderno e urbano, a primeira coisa em que um provinciano investe é na indiferença. 
Esta semana, o meu vizinho Rogério, que é continental descreveu-me assim os Açores: "Um lugar onde nunca se chega e de onde nunca se parte."  Quem me dera ter sido eu a escrevê-lo.

Para saber mais:
Sobre a Terra Chã
Turismo na Ilha Terceira
Saída: A vida no campo, de Joel Neto
Dona Amélia: receita
Açores: Ilha Terceira
Sabores e Açores




Título: A vida no campo
Autor:  Joel Neto
Editora:  Marcador
Pág: 232
Leitura:  26/08 a 
Sinopse:  Um homem e uma mulher. Um jardim e uma horta. Dois cães. Ao fim de vinte anos na grande cidade, Joel Neto instalou-se no pequeno lugar de Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, ilha Terceira. Rodeado de uma paisagem estonteante, das memórias da infância e de uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica, descobriu que, afinal, a vida pode mesmo ser mais serena, mais barata e mais livre. E, se calhar, mais inteligente

sábado, 3 de setembro de 2016

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

Alguns livros me causam um certo receio, um medo de que não funcione e de que a leitura esperada e ansiada resulte por fim em desalento e decepção. Foi assim com esse aqui, é assim com Coração de tinta, de Cornelia Funk, com A história sem fim, de Michael Ende, Como água para chocolate, de Laura Esquivel, só para citar alguns. De onde vem esse receio? Creio que é fruto de algumas experiências desalentadoras e frustrantes, mas quem não as tem?

Mas não foi o que aconteceu com esse A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick,  um livro que já havia visto e ouvido falar um tanto de vezes. Sempre despertava a minha curiosidade, e sempre vinha aquele medinho e eu pensava: vai ver que não é tudo isso. Imagina um livro contemporâneo que tem mais de dez mil leitores e cerca de 240 resenhas, isso só pode ser fruto de uma grande publicidade esse livro não pode ser tão bom,  penso eu na minha eterna descrença e desconfiança.


Mas o vídeo da Dani ( A bibliotecária leitora) me aguçou mais uma vez o interesse pelo livro. Eu já fiz duas leituras compartilhadas com a Dani, e foi uma experiência extremamente positiva e enriquecedora, quando resolvemos ler A biblioteca mágica de Bibbi Bokken e antes disso O mistério do Natal, ambos de Jostein Gaarder. E quando precisei trocar pontos a expirar em uma livraria "on line", resolvi pegar esse livro aqui que estava em promoção. E devo dizer que ele demorou menos de um mês na pilha. 

E foi uma leitura encantadora, me envolvi na história de tal maneira, como raras vezes tem acontecido. As ilustrações em preto e branco não apenas complementam a história, mas embelezam e enriquecem a leitura. E ao final descobrir que esse livro é uma homenagem tão bela prestada pelo autor fez com que a leitura tivesse um outro significado. Afinal vivemos um tempo de mais reclamações, ruminações e queixas do que de elogios e exaltações, uma pena. Ainda bem que temos vez por outra alguém que consegue ver o lado bom e positivo das coisas e das pessoas. ;)

Grifos: 
O velho na loja de brinquedos estava discutindo com a menina.
Mas a história começa, porque as histórias sempre levam a outras histórias.


Para saber mais:
Resenha: A invenção de Hugo Cabret, por Michelle 
Vídeo da Quézia
About Brian Selznick - The Invention of Hugo Cabret by Brian Selznick
Brian Selznick's Biography


Título:  A invenção de Hugo Cabret
Autor:  Brian Selznick
Editora:  Edições SM
Pág: 534
Leitura: 19 a 25/08/2016
Tema: Fantasia
Sinopse:  Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento da máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

OS VESTÍGIOS DO DIA


Há muito tempo atrás assisti ao filme inspirado/baseado na obra de Ishiguro, que confesso me encantou totalmente. Mas, só recentemente soube da existência do livro e embora tivesse ficado curiosa não me mexi para adquiri-lo ou lê-lo. Lembro de ter verificado se havia exemplar disponível nas bibliotecas, mas fiquei por aí. Até que um dia, inspirada por mais uma das indicações da Claire, comprei o livro na Estante Virtual.  O livro chegou e ai vocês já sabem, não é? Direto para a pilha. E agora que resolvo ler o livro descubro que ainda tem um cheiro de mofo e guardado insuportáveis (e toda aquela trabalheira/limpeza inicial não valeram de nada?). As primeiras tentativas de leitura foram absolutamente infrutíferas, mas empenho e persistência na higienização quase que eliminaram o problema.  

Mas, vamos à leitura. Começo dizendo que a narrativa de Ishiguro é por demais elegante, o que me encanta. Os vestígios do dia alterna trechos do mordomo Stevens em uma viagem pelo interior da Inglaterra com as suas  memórias e reflexões. 
A narrativa elegante de Ishiguro me faz lembrar dos livros do Wodehouse, e também do Machado em Memorial de Aires. Não é preciso dizer que são escritos que gosto muito. Assim como em o Memorial a leitura deste é pausada e sobretudo contemplativa.

Stevens é contido e totalmente focado em ser o melhor naquilo que faz, seria o sonho de consumo de qualquer empregador da contemporaneidade e de tempos idos. O que me leva a refletir sobre o que nos chama a atenção quando lemos o livro, se para uns o livro soa por demais melancólico e o lado intimista é o que impera, incomodando outros tantos que preferem mais ação e menos reflexão, o meu olhar bateu direto no Stevens profissional e passou grande parte do tempo analisando o seu perfil, e fazendo analogias ao mundo do trabalho.  E devo dizer que o mundo corporativo ainda tem alguns/uns/vários(?) Stevens trabalhando por lá. ;)

O lado intimista e bucólico que norteia toda a narrativa me agrada muito. Apesar do brilhantismo esse livro não seria indicado para todo tipo de leitor, aqueles que procuram ação vão achá-lo entediante, os que desejam grandes piadas e  risos, provavelmente não vão gostar da ironia refinada e completamente sútil encontrada aqui e ali,  e aqueles gostam da contemporaneidade vão achá-lo absurdamente "démodé" e ainda assim tanta gente (como eu) adora ele. 

Grifos
Se o que o senhor diz é verdade,  acho que prefiro ficar aqui - retruquei.- Acontece que estou iniciando uma viagem de carro, durante a qual espero contemplar muitas paisagens esplêndidas. Ver o melhor antes de ter realmente iniciado seria um tanto prematuro. 
Nós, ingleses, com frequência temos um modo de ver as coisas diferente daquele dos franceses,  Sr Lewis. 87
É errado continuar odiando assim um inimigo depois de terminado o conflito. Quando se consegue derrubar o adversário, isso devia ser o final da luta. Não se pode continuar a dar-lhe pontapés. 87
Apesar de todas as lembranças tristes,  sempre que hoje em dia relembro aquela constato que o faço com uma enorme sensação de triunfo.  110
Mas qual o sentido estar sempre especulando o que poderia ter acontecido se uma dada ocasião tivesse um desfecho diferente. É provável que assim uma pessoa acabe perdendo o juízo. 172
Embora obviamente, essa tenha sido uma situação ligeiramente constrangedora, estava longe de ser a mais difícil, ou até mesmo singular, que uma pessoa pode encontrar no decurso das suas obrigações, e todos sem dúvida concordarão que qualquer profissional decente deve estar preparado para aceitar tranquilamente tais ocorrências.  Portanto, eu já quase esquecera o episódio na manha seguinte. 189
Conheci pessoalmente pelo menos dois profissionais , ambos de certa capacidade, que passavam de um patrão para outro, eternamente insatisfeitos, nunca se fixando em parte alguma, até desaparecerem de vista. 192


Título:  Os vestígios do  dia 
Autor:  Kazuo Ishiguro
Editora:  Record/Altaya
Pág: 233
Leitura: 24.01 a  15/02/2016
Tema: Autores asiáticos
Sinopse: Para Stevens, mordomo que durante anos trabalhou para um aristocrata no interior da Inglaterra, dignidade é exercer com perfeição a tarefa de bem servir a seu patrão. Mesmo que para isso tenha que abdicar de seus sentimentos e emoções que também, e principalmente, dignificam a existência. Após a morte do ambíguo Lord Darlington, contudo, por um breve momento avalia se tudo valeu a pena.
"Os vestígios do dia", vencedor do Booker Prize de 1989, o maior prêmio literário da Inglaterra, traça o perfil do patético Stevens com a sutileza e a profundidade que fizeram de Kazuo Ishiguro um dos maiores autores mais conceituados da Europa.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O PÃO DA AMIZADE


Tempos atrás quando li O clube do biscoito fiquei encantada com o livro e desde então sempre procuro livros que misturem comida e amizade. De um modo geral esses livros tendem a ter um caráter reconfortante e aquecedor. E foi assim, ou por isto, que acabei comprando esse O pão da amizade, de Darien Gee. Mais uma vez o livro levou bastante tempo para ser lido. Confesso que mais por pena do que por procrastinação. Mas, resolvi tirá-lo da pilha e incluí-lo nas leituras natalinas. Mas, já ia a meio de janeiro e ainda não o havia terminado. Para mim o livro alterna passagens de leitura extremamente fluídas com outras absurdamente lentas e entediantes. Há um excesso de personagens que entram e saem da história sem que eu consiga entender a que vieram. Por outro lado a Julia inicialmente é uma chata. Entendo sua dor, entendo seu sofrimento, mas não consigo sentir a mínima empatia/simpatia com a personagem e/ou seu sofrimento. A Hannah é patética. Mas a Madeleine é para mim o que faz com que o livro tenha um quê de reconfortante e valha a pena investir na leitura desse Pão da amizade, que diga-se de passagem tem um capítulo inteirinho dedicado a ele, com receitas que me instigam a testar uma das várias sugestões.

Vale dizer que a leitura ganhou fôlego em determinada altura, quando os personagens centrais conseguem perceber que o mundo é mais amplo do que eles mesmos e seus próprios problemas. Daí em diante gostei bastante, e talvez no futuro até invista em uma releitura.

Palavra chave: Solidariedade

Vale conferir:
http://www.friendshipbreadkitchen.com/
http://www.dariengee.com/
http://www.coletivoverde.com.br/pao-da-amizade/
http://wp.clicrbs.com.br/feitoemcasa/2011/12/20/receita-do-pao-da-amizade-para-fazer-e-compartilhar/?topo=67,2,18,,38,67&status=encerrado
http://ayurvedicamente.blogspot.com.br/2012/07/pao-da-amizade-por-fermentacao-natural.html
Grifos:
Ela adora trabalhar no salão de Madeline e Madeline praticamente lhe dera carta branca para fazer o que achar apropriado para ajudar o negócio e oferecer um serviço serviço ao cliente. Conie não apenas se sente útil, ela se sente necessária.
Ela se vira para olhar Norman, que parece triste. E velho. Oma não vê o marido dessa forma, não vê a si mesma assim, porém, nesse momento, é exatamente assim que ele parece.
Deixe que os que voam alto construam os castelos no céu.




Título:  O pão do amor
Autor:  Darien Gee
Editora:  Lua de papel 
Pág: 392
Leitura: 20/12/2015 a 24/01/2016
Tema: Escritor africano 
Sinopse:  Um presente anônimo conduz uma mulher a uma jornada que ela jamais poderia imaginar. Certa tarde, Julia Evarts e Gracie, sua filha de cinco anos, chegam em casa e encontram um presente na varanda da frente: um pão da amizade com o simples bilhete "espero que você goste". Junto, há um pacote de farinha, instruções de como fazer o pão e um pedido para que ele seja compartilhado com outras pessoas. 
Ainda abalada pela tragedia que a distanciou da irma, antes sua melhor amiga, Julia continua perdida quanto aos rumos de sua vida. Ela jogaria fora o presente anônimo, mas, para alegrar Gracie, concorda em assar o pão. 
Quando Julia conhece duas recém-chegadas a pequena cidade de Avalon, Illinois, ela desencadeia uma ligação ao oferecer a elas uma parte da massa. A viúva Madeline Davis esta trabalhando para manter aberto o seu salão de chá, enquanto a famosa violoncelista Hannah Wang de Brisay esta numa encruzilhada, com o fim da carreira e o do casamento. Na cozinha do salão de chá de Madeline, as três mulheres firmam uma amizade que mudará suas vidas para sempre.
Não demora para que todos em Avalon estejam assando o pão em suas cozinhas. Mas este momento feliz e as novas amizades também apresentam um novo desafio: a necessidade de reencontrar a irma e lidar com uma situação que ela preferia esquecer.
O pão da amizade conta uma historia espiritual e comovente sobre vida, amizade, dores e dificuldades, comida e família, mas também sobre a necessidade de mantermos acesa a esperança.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

MISTÉRIO DE NATAL

Quando comecei a pensar em fazer umas leituras para o Natal revi um vídeo da Gláucia no canal  Estante Indiscreta sobre o livro Mistério de Natal, de Jostein Gaarder. A proposta do livro é um capítulo por dia a partir de primeiro de dezembro. E então eu pensei, e por que não?  E aí eu e a Daniela do Bibliotecária Leitora nos propomos a fazer a (re)leitura conjunta do livro do Gaarder. 
Uma leitura deveras prazerosa, ainda que sofrida. Não é fácil, fechar o livro depois de ler um capítulo (diga-se de passagem curtíssimo)  e esperar o dia seguinte quando tudo o que se quer é devorar o livro na primeira ou segunda sentada. 

Devo ter lido o livro há uns três ou quatro anos, não sei bem, pois o histórico sumiu do Skoob, assim como o livro sumiu da Estante de Livros Lidos. :(
O que me faz pensar, que já devia ter aprendido que não dá para confiar em redes sociais, tantas já morreram, já mudaram, etc, etc. Mas sou crédula ou imprevidente e continuo a deixar que outros guardem a memória de meus bons momentos, no caso leituras.

Mas não estamos aqui para falar disto, e sim da experiência de leitura de Mistério de Natal. Nunca participei de um Advento, mas esta experiência me fez sentir como se o fizesse, pois a leitura/releitura diária levou-me a um sentimento de preparação para o dia de Natal. 
Minha escolha foi por uma leitura noturna, de um modo geral antes de dormir. Com capítulos curtos foi  possível rever e reler trechos mais significativos, às vezes capítulos inteiros. 

Foi uma experiência enriquecedora: exercício de paciência, persistência e de espera. 
Convido você a ler o livro (em qualquer tempo), e quem sabe a participar comigo de uma leitura/releitura conjunta em 2016. Vamos? 

Grifos (muitos):
Para ler a história inteira eram necessários vinte e quatro dias, já que a história estava dividida em vinte quatro pequenos capítulos. Um para cada dia
O pai fez cara de quem tinha recebido a visita de um anjo em plena luz do dia. E tinha mesmo, só que, em vez de vir pessoalmente, o anjo enviara um senhor de cabelos brancos, dono de uma livraria
P.S. Prêmio FNLIJ 1998, categoria Tradução/Criança.






Título:  Mistério de Natal
Autor:  Jostein Gaarder
Editora: Cia das Letras
Pág: 256
Leitura: 01 a 24/12/2015
Tema: Natal
Sinopse: Durante os 24 dias anteriores à noite de Natal, o menino Joaquim acompanha um grupo de peregrinos que voltam no tempo para chegar a Belém, onde vão homenagear um recém-nascido. Uma fábula sobre a tolerância, na qual o autor de O mundo de Sofia traça um roteiro histórico do cristianismo.