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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

CAÇADORES DE BONS EXEMPLOS


Minha mãe é fanática pelo programa Como será,  da Rede Globo. E aí temos um problema eu quase não vejo televisão e muito menos a Globo. Mas foi assim que descobri esses Caçadores de bons exemplos.

Confesso que sou desconfiada com tudo que aparece ou é dito na TV.   
Ainda assim resolvi dar uma chance,  aí baixei uma amostra no Kindle e nem abri. Até que não sei bem porque comprei o livro e foi mais um para a pilha. Mas bendito Vargas Llosa que me fez procurar leituras mais prazerosas. E foi assim que saquei das prateleiras esse Caçadores de bons exemplos. Livro que tem aquecido minha alma e molhado minha face... É talvez eu esteja sendo melodramática, mas é o que tem acontecido por aqui. 

Os poucos que acompanham esses escritos sabem que no final do ano gosto de leituras que acalentem a alma e aqueçam o coração. E "vamo" combinar o livro do Llosa (A sociedade do espetáculo)  pode ser tudo menos acalentador. E encontrar um livro recheado de histórias de gente que promove o bem é inspirador.  Existirá forma melhor de concluir o ano? Para mim não. 
Esse livro era destinado ao Desafio "vamos baixar pilha" lá do Goodreads. 

Grifos: 
Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e a rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez. A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós deseja segurança, amor, paz e felicidade. Contudo, às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. A tribo se une, então, para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, até que ele se lembre da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: “Eu sou bom.” Sawabona Shikoba! Sawabona é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: “EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM.” Em resposta, as pessoas dizem Shikoba, que é: “ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ"
Amar o outro, mesmo que você não concorde com ele.
Aprendemos que não devemos interFERIR nas comunidades. Isso fere! Toda mudança tem que ser de dentro para fora. Não adianta implantar nada que a comunidade não sinta que é seu. Devemos inFLUEnciar. Deixar fluir! Fazer com que as pessoas tenham uma visão global, porém com impacto local. Isso é ajudar o próximo que está próximo! Isso é transformAÇÃO

Título: Caçadores de bons exemplos  
Autor:  Iara e Eduardo Xavier
Editora:  Leya
Pág: 256 
Leitura: 01 a 25/12/2016  
Tema: Autor brasileiro, escolhe um livro ao acaso
Sinopse:  Em meio a tempestades de notícias ruins, os 'Caçadores de bons exemplos' nos mostram brasileiros que constroem um país melhor e fazem a diferença nas comunidades onde vivem. 
Cansados de ouvir notícias ruins, Iara e Eduardo resolveram tomar uma atitude. Sem patrocínio e nenhum vínculo religioso ou político, venderam o apartamento e saíram em uma viagem em busca de bons exemplos: pessoas que fazem a diferença na comunidade que vivem, executando algum projeto social. 
Eles acreditam que existem muito mais ações positivas do que ações negativas no mundo. Neste período, percorreram 225.806 km e catalogaram 1.150 projetos por todos os estados brasileiros. Agora, esta ação se transformou em uma grande mobilização para divulgação do bem, da qual participam milhares de pessoas pelas redes sociais. 
Colecionando histórias emocionantes e ideias inspiradoras, os 'Caçadores de bons exemplos' continuam na estrada, sempre movidos pelo desejo de descobrir uma sociedade mais humana, e mais ativa na construção de um mundo melhor para se viver.

domingo, 8 de janeiro de 2017

COMER COMO UM FRADE

Comer como um frade: divinas receitas para quem sabe porque temos um céu na boca, de Frei Betto.  É a leitura que correu por aqui esses dias, se bem que correr não é exatamente o termo já que procurei fazê-lo bem lentamente. O livro é delicioso, imagina as receitas. 

Foi através de S., amigo e colega de trabalho,  que conheci o livro do Frei Betto. Ele emprestou-me certa vez e eu li algumas receitas e devolvi.  Agora tenho um exemplar para chamar de meu. Não sei exatamente porque o escolhi para ler agora,  apenas o peguei ao acaso e me delicio a cada página.  

Lá pelas tantas lembro que a revista Vida Simples vez por outra traz matérias sobre nossa relação com a comida.  Resolvo procurar e encontro essa aí: Faça cada garfada valer a pena, de autoria de Rafael Tonon, publicada em março de 2016. Que tem tudo a ver com esse texto do Frei Betto. E devo dizer que é muito bom quando encontro essas leituras que se complementam. 

Quem me conhece sabe que para mim cozinhar é terapêutico.  E neste livro de receitas do mar, da terra, do açúcar, do ar e da carne.  Encontro novas possibilidades de para velhos ingredientes.  Um livro de receitas delicioso e singular,  primeiro não tem fotografias, o que nos aguça a imaginação; as receitas são contadas como numa conversa ao pé do fogão (quiçá fosse à lenha);  e cada receita tem excertos bíblicos sobre o comer.  Os nomes dos pratos são engenhosos:  Canjiquinha à venerável Stella, purê mistérios gozosos, risotos aos reis magos.

Ainda não sei por onde começar, tantas receitas com jeito apetitoso...

Grifos 

Jesus fez da refeição um sacramento - a eucaristia. Mesa = missa.  130

Grifo: 
O Natal não é apenas uma data. É um estado de espírito. É isso que tem mudado.

Título: Comer como um frade:  divinas receitas para quem sabe porque temos um céu na boca
Autor:  Frei Betto 
Editora:  Editora José Olympio
Pág:  152
Leitura:  04 a 08/12/2016
Tema: Autor brasileiro, escolhe um livro ao acaso
Sinopse: Considerado um dos mais atuantes intelectuais do Brasil, Frei Betto nasceu em Belo Horizonte. Frade dominicano, estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Mas, uma de suas facetas mais originais é a gastronomia.
Como ele mesmo explica: "Selecionei para este livro receitas de apurado sabor e fácil preparo. Minha intenção é facilitar a vida de quem pretende receber amigos para almoçar ou deseja preparar um jantar de muito bom gosto com o que pode ser encontrado na feira ou no supermercado da esquina. Na Bíblia, busquei o alimento para o espírito, pois nem só de pão vive o homem".
Sucesso editorial, Comer como um frade traz delícias da terra, delícias da carne, delícias do mar, delícias do ar. Mas, não poderiam faltar as delícias do açúcar (por exemplo, "Mousse de laranja ao céu da boca"). Ao final do volume, as revelações - Mistérios gloriosos e Mistérios gozosos - dicas, sugestões e tópicos para orientar os leitores. 
Tudo com muito sabor, inteligência e prazer.
• Conhecido por seus dotes culinários, Frei Betto já cozinhou para três presidentes - Lula, Daniel Ortega (Nicarágua) e Fidel Castro (Cuba)

sábado, 3 de dezembro de 2016

RUA DO OUVIDOR, 110

Já disse aqui que não faço resenhas, não sei fazer e também não me dediquei muito a aprender a fazê-las. Mas quando encontro um livro que me encanta como este sinto que ele merecia mais que alguns comentários aleatórios e esparsos desta leitora aqui, ainda que uma leitora encantada/maravilhada ou que adjetivo queiramos usar. É o caso deste Rua do Ouvidor 110. Que confesso não lembro como descobri, lembro de quando comprei e do deslumbramento ao colocar as mãos num livro tão bonito, que folhei cheia de dedos e cuidado para que não estragasse. E pensei em guardar para ler no final do ano quando dedico-me leituras mais lentas e amenas. Mas não tive paciência para esperar e em um dia qualquer de julho apesar das muitas leituras em andamento pego o livro das prateleiras e começo a ler. 

O livro me encanta, nele encontro um pouco da biografia de José Olympio, da história da livraria e da editora, da história deste país e curiosidades sobre vários escritores como: Guimarães Rosa, Raquel de Queirós, José Lins do Rego (o Zé Lins), Jorge Amado...
Leitura das mais deliciosas, numa edição com algumas ilustrações e belas fotografias. 


Grifos 

A vida é feita de acasos; circunstâncias, contingências e acasos. (JO)
Planejava ele mesmo a arrumação das vitrines e inventou uma novidade para chamar a atenção:  cartões datilografados que destacavam frases e trechos das obras.
Creio que ela só não foi à Conchinchina e à Goma Arábica.
Há um ar de família naquela gente. Octavio Tarquínio deixa de ser ministro e Amando Fontes de ser funcionário graúdo. Vemos ali o repórter e víamos o candidato à presidente da República, porque José Américo aparecia algumas vezes. Lins do Rego é figura obrigatória. Marques Rebelo procura vítimas. Distribui veneno a presentes e ausentes. 

Título: Rua do Ouvidor 110
Autor:  Lucila Soares
Editora:  José Olympio  & Biblioteca Nacional
Pág: 203
Leitura:  20/07 a 14/08/016
Tema:  Nome de lugar no título
Sinopse:  Uma história da Livraria José Olympio , da jornalista Lucila Soares, neta do famoso livreiro e editor, narra o dia-a-dia da Livraria José Olympio, ponto de encontro dos grandes nomes da literatura brasileira dos anos 1930, 40 e 50. José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado (hoje, aliás, todos publicados pela José Olympio ou pela Record, editoras do mesmo Grupo) e tantos outros se encontravam na casa de livros da rua do Ouvidor 110, quase esquina com a avenida Rio Branco, para conversar sobre artes, política e a vida em geral. Todos esses relatos estão no livro de Lucila, que conta uma história que ela conhece desde menina - revisitada em oito meses de entrevistas e garimpo em acervos e bibliotecas. É uma elaborada e saborosa crônica que tem como pano de fundo o charme do Rio de Janeiro daqueles tempos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

LENDO LOLITA EM TEERÃ

Não lembro quando ouvi falar de Lendo Lolita em Teerã pela primeira vez, mas ouvi e vi muitas vezes, e eu que não resisto a livros que fazem rir, também não resisto a livros sobre livros.  E depois de resistir muito acabei por comprar e deixei na pilha. Havia o costumeiro receio de que o livro não fosse tudo o que diziam, a maioria dos comentários foi de gente que recebeu o livro de parceria, e "vamo" combinar não dá para levar a sério opinião de parceiro. E o livro foi ficando, ficando, ficando. Como tenho por regra ler todo, todo livro em que invisto meu dinheiro, sabia que uma hora ele iria sair de lá. E saiu, agora que tenho que ler um livro escrito por mulher e/ou que tenha um título com apenas três palavras, aliás "fala sério" contar a quantidade de palavras é um jeito bem esquisito de escolher um livro, mas quem sou eu para dizer alguma coisa, não é?

Pois é, saiu justamente neste mês em que estou de férias tiro da pilha um bando de livro (que sei que não vou ler, raramente consigo ler nesses dias prazenteiros de ver amigos/paisagens/paragens  e jogar conversa fora), mas sempre insisto e dá em nada (rs). Pois então, entre os livros escolhidos está esse Lolita em Teerã, que praticamente não sai da sacola exceto nos últimos dias das férias. Uma leitura agradável e que mistura biografia com os encontros literários (quase um clube de leitura) entre a autora e suas ex-alunas.

Levo praticamente dois meses para terminar a leitura, primeiro que férias não é o período que mais leio, como disse acima. Por outro lado embora a leitura seja relativamente fluída, as duas  primeiras partes deram um certo trabalho: Gatsby  e Lolita nunca foram meus preferidos. Mas James e Austen (as duas últimas partes) foram leituras absolutamente fantásticas. É muito bom ler sobre como os livros podem nos unir e apoiar nos melhores e piores momentos. Gostei bastante!

E o livro pensado em ser tema do desafio no mês das mulheres, passou por três palavras e ficou no desafio com o tema livro com nome de lugar no título. 

Para saber mais:
http://azarnafisi.com/ 
https://www.goodreads.com/author/show/5151.Azar_Nafisi
https://www.facebook.com/azarnafisi

Grifo: 
Não menospreze, sob qualquer circunstância, uma obra de ficção tentando transformá-la numa cópia fiel da vida real; o que procuramos na ficção é muito menos a realidade do que uma epifania da verdade. 
Por que histórias como Lolita e Madame Bovary - histórias tão tristes e tão trágicas - nos deixam felizes? Não é pecado sentir prazer quando se lê algo tão terrível? Nos sentiríamos assim se soubéssemos dessas histórias pelos jornais ou se acontecessem conosco?

Título: Lendo Lolita em Teerã
Autor:  Azar Nafisi
Editora:  BestBolso
Pág: 420
Leitura:  19/02 a 23/04/3016
Tema: Títulos com apenas três palavras
Sinopse:  A autora iraniana Azar Nafisi nos conduz à intimidade da vida de oito mulheres que precisam encontrar-se secretamente para explorar a literatura ocidental proibida em seu país. Durante dois anos, antes de deixar o Irã, em 1997, Nafisi e mais sete jovens liam em conjunto Orgulho e Preconceito, Madame Bovary, Lolita e outras obras clássicas sob censura literária. A narrativa de Nafisi remonta aos primeiros dias da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini (1979), quando a autora começou a lecionar na Universidade de Teerã, em meio a um turbilhão de protestos e manifestações. Obra de grande paixão e beleza poética que nos ajuda a entender os sangrentos conflitos do Irã com o vizinho Iraque, e a tirania do regime islâmico.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O FALECIDO MATTIA MASCAL

Meu primeiro contato com Pirandello foi através do livro Um nenhum e cem mil, que eu gostei, mas que confesso não lembro de muita coisa.

O falecido Mattia Pascal estava na pilha já fazia algum tempo e alguns desafios e nunca saía de lá. Mas enfim saiu, este foi um daqueles livros pensados em ler naquelas férias em que quase nada foi lido.

A história surpreendeu-me bastante, não esperava algo tão divertido , com direito a algumas gargalhadas. E de um certo modo me fez lembrar alguns dos escritos do Calvino (o Ítalo).

A história de Mattia Pascal me acompanha mesmo depois de fechar o livro. Causa-me certo estranhamento encontrar tão pouco sobre Pirandello e sua obra o que me leva a crer que o autor é pouco lido por aqui. Talvez por ser um autor divertido e por estas plagas para ser considerado "boa literatura" tem que ser sorumbático. Não sabem o que estão perdendo. O que sei é que quando voltar às compras incluirei outros Pirandello na cestinha.

Pirandello recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1934, e então podemos dizer que é um clássico?

Grifos

 "(...) se um rouxinol dá as penas da cauda, pode dizer: "Sobrou-me o dom do canto", mas se um pavão é obrigado a dá-las, o que lhe resta?"
Um pouco mais sobre:
Luigi Pirandello: o filho do Kaos
A narrativa resistente em Luigi Pirandello: uma questão de ética
O casamento por Pirandello



Título: O falecido Mattia Pascal
Autor:  Luigi Pirandello
Editora: Abril
Pág:  314
Leitura:  03/03 a 24/04/2016
Tema: Clássico
Sinopse:  Mattia Pascal é um homem que, em meio à angústia existencial do início do séc. XX, assume uma nova vida. Porém, se depara com a burocracia e as regras das quais tentou escapar no início. Luigi Pirandello abandona a narrativa tradicional e, com humor peculiar, denuncia a miséria das relações humanas.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O NOSSO JUIZ


Tempos atrás descobri na TV alguns programas sobre livros e literatura, o primeiro foi o Leituras da  TV Senado que ao que parece infelizmente não é mais veiculado.  Depois descobri o Iluminuras da TV Justiça  que me apresentou diversos livros muito interessantes. O advogado Frederico, Viégas, por exemplo,  me levou a ler toda a série d'O pequeno Nicolau. Como não ser grata a quem fez a mim e a minha família (e mesmo alguns amigos) dar tantas e tão boas gargalhadas?
Já a Juíza Elisabeth Amarantes me levou a ler o Solstício de Inverno, uma leitura pra lá de reconfortante.  

Mas o programa mudou de formato e perdi um pouco interesse pelo mesmo, foi quando descobri o Direito & Literatura.  Que apesar de mostrar a literatura a luz do direito, pode ser perfeitamente compreendido por qualquer pessoa, inclusive pela pessoa que vos escreve.

Não faço ideia de porque me interessei por O nosso juiz, ao rever o programa penso que deveria ser justamente o contrário, afinal os apresentadores não foram nem um pouco simpáticos a ele. Mas o que importa é que dei um crédito e uma oportunidade ao livro e não me arrependi, pois foi uma leitura muito divertida e prazerosa, senti um clima retrô em toda  a leitura que muito me agradou, embora o livro tivesse incomodado àqueles que me apresentaram ao mesmo, pena. Acho que mexeu com os brios,   eles não entenderam a coisa toda como uma divertida brincadeira. (será)


Grifos
Mesmo em São João prefeitos precisam de uma quantidade mínima de bom senso político; sabem dos riscos e os evitam, beijam crianças, prometem abertura de estradas e postos de luz, prometem postos de saúde e escolas; a memória do povo ao contrário da maioria das dos mandantes, é curta, e as eleições são espaçadas justamente por isso, é o que sempre pensei. 
Se juntaram a nós aos poucos e de forma casual o bastante para parecer mesmo casual. São João, a Desimportante, se transformava diante dos meus olhos em São João, a Dissimulada.
Politicamente, o mundo do Dr Linhares também era muito simples. Eleições e missas, pensava ele; um pouco de umas e um pouco das outras, e todos seguiam felizes, com as promessas de sempre.
Penso em como fomos invadidos pela televisão de uma forma tão suave e rápida, que nem ao menos conseguimos perceber ou resistir. 
(spoiler?) Quando lhe falei que São João não precisava de um juiz, Antonio, eu estava errado. Disso nós já sabemos. Mas quando resolveu que desejava um juiz, o povo daqui também estava errado, e agora eles sabem disso. Todos aprendemos alguma coisa, não é mesmo? 

Título:  O nosso juíz 
Autor:   Marcelo Carneiro da Cunha
Editora:  Record/Altaya
Pág: 222
Leitura:  10 a 15/09/2016
Tema: Autor brasileiro
Sinopse: São João da Serra, uma cidadezinha da serra gaúcha, está mobilizada para a guerra. O ano é o distante 1962, e o motivo é a cidade vizinha, que foi premiada com um juiz, enquanto São João, como sempre, não ganha coisa alguma. Ao narrar a história da luta de São João por um juiz e por uma modernidade que a cidade não entende ou necessita, O Nosso Juiz nos leva de volta a um tempo em que a realidade que temos hoje não era sequer sonhada. Um tempo e uma vida de um Brasil de antes, que você vai querer relembrar, ou conhecer.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A GAROTA NO TREM

Não entendo nada, ou quase nada,  de thrillers, e thriller psicológico muito menos. Então quando o vi tema de outubro no Desafio minha reação imediata foi de pular para trás, torcer o bico e rejeitar a ideia, exatamente como fiz com o tema dos serial killers quando acabei lendo o É fácil matar, da Agatha Christie. Depois de muito procurar chego a Odisseia, de Homero. A wikipédia diz que o texto do dramaturgo pode ser considerado o precursor dos thrillers psicológicos, não me pergunte porque.

A ideia de ler Homero não estava totalmente descartada quando A garota no trem surgiu entre as leituras de Fê, uma boa amiga lá do Skoob. Ela disse que o livro era de leitura rápida e que era uma boa opção de entretenimento. E foi assim que cheguei a esse A garota no trem. Que confesso acho o suspense bem ralo, mas que chama a minha atenção por conta de tantos outros dramas pessoais. 

Mas fico pensando o que acontece comigo para sair da leitura de um livro cheio de gente neurótica como A última chance, para entrar nesse aqui que é cheio de gente doida. Sabe aquela máxima: de perto ninguém é normal? Pois então, a julgar por esse livro aqui, de longe também não. 

Grifos? Muitos, muitos mesmo:

Perdi o controle sobre tudo, até sobre os lugares dentro da minha cabeça.
Não sou mais o que eu era. Não sou mais atraente; acho que no fundo sou repelente. Não é só o fato de ter engordado, ou de meu rosto estar inchado de tanto beber e de dormir pouco; é como se as pessoas conseguissem ver o estrago em mim como um todo, elas veem isso no meu rosto, na minha postura, nos meus movimentos.
Não consigo dormir. Não durmo há dias. (frase do livro de Murakami)
Nunca entendeu como é possível sentir saudade do que nunca se teve, e ainda chorar por isso.

Título: A garota no trem
Autor:  Paula Hawkins 
Editora:  Record
Pág: 378
Leitura:  18/02 a 21/08/2016
Tema:  Thriller psicológico
Sinopse:  Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. 
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

LIVRO SOBRE NADA

Quem me conhece sabe que não sou uma leitora dada a ler livros de poesia, talvez por falta de hábito, talvez por falta de sensibilidade para a coisa. O que sei é que durante muito tempo o único autor de poesia que circulou por aqui foi o Manuel Bandeira. Mas vez por outra eu faço umas incursões  pelo universo poético. Nem sempre são as melhores leituras ou escolhas, como por exemplo quando escolhi  o Charneca em Flor, da Florbela, lido para o Desafio Literário de 2014, que não foi lá a melhor leitura do mundo... Mas às vezes  a experiência é extremamente prazerosa ou uma grata surpresa como aconteceu quando li os Hai Kais, do Millôr para o DL de 2014, ou o Bagagem, da Adélia. 

Então eu diria que é um avanço chegar à biblioteca procurando um livro de poesia para ler, ainda que tenha uma ressalva: que seja pequeno. E trouxe para casa o Livro sobre nada, talvez porque o tenha visto nos vídeos da Dani (a Bibliotecária Leitora), ou na estante do Regi (amigo lá do Skoob).  O que não esperava era me encantar com a escrita do Manoel. E num domingo à tardinha pego o livro para dar uma olhada e quando dou por mim a leitura acaba, percebo que o autor me conquistou. Seus escritos sobre nada são tão deliciosos e por vezes divertidos que penso em ler outras coisas do autor, e me faz até pensar em ampliar os horizontes e quem sabe dar uma oportunidade à Cora?

Grifos
Quem ama exerce Deus - a mãe disse. Uma açucena me ama Uma açucena exerce Deus?
Deus deu a forma. Os artistas desformam.É preciso desformar o mundo.
Do lugar onde estou já fui embora. 
O que não sei fazer desmancho em frases. 


Título: Livro sobre nada
Autor:  Manoel de Barros
Editora:  Record
Pág: 86
Leitura:  31.07.2016
Tema: Autor brasileiro 
Sinopse:  Para falar sobre o nada, este livro de Manoel de Barros, evidencia a primeira pessoa; seja quando o poema deixa falar o 'eu poético', seja quando o poeta cita seus próprios versos de obras anteriores, ou quando o nome próprio do autor assinala em 'idioleto manoelês archaico.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO

Vez por outra um livro considerado ímpar cruza nosso caminho. E quando isto acontece queremos divulgá-lo a toda gente. E eu gostaria de saber fazer belas e boas resenhas para falar sobre esse pequeno livro aqui que muito me encantou. Mas ainda que eu seja uma leitora compulsiva, não sei e não gosto de escrever. Talvez fruto dos muitos anos de leitora solitária. Muito pouca gente que conhecia se interessava por livros e leitura, seja entre amigos, seja entre familiares. E o meu trabalho não me faz escrever muito, a não ser que escrever números seja levado em consideração. ;) 

Mas vamos ao livro. Por incrível que pareça descobri esse livro olhando o site da editora em busca de livros de bolso, livros leves para carregar na bolsa e ter sempre algo à mão pra aproveitar qualquer tempinho extra disponível. Confesso que o título não chamou muito a atenção, mas o autor sim. A sinopse despertou o interesse e uma pequena resenha no Skoob bateu o martelo.

O autor faleceu em 1921 quase cem anos já se passaram e esta crônica/narrativa tão continua atual. É uma dessas leituras rápidas e divertidas, mas que pode ter muito a ser visto/refletido. João do Rio trata com maestria o tema da ética e da corrupção.

Se um dia encontrares o livro por aí dê uma oportunidade pra ele, é uma leitura rápida e divertida, mas com muito para pensar e refletir sobre o que é ser um cidadão na terra do sol, aquela onde se fica de frente para o mar e de costas para o país, para relembrar o Milton Nascimento, na boa e velha (?) Notícias do Brasil.

Grifos:
"No país que chamavam de sol, apesar de chover, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor". (um bom começo)
"Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando é um vagabundo"



Título:  O homem da cabeça de papelão
Autor:  João do Rio
Editora:  Hedra
Pág: 56
Leitura: 20/05/2016
Tema: Autor brasileiro
Sinopse:  Antenor era um rapaz que tinha muitos defeitos – falar a verdade, dedicar-se ao trabalho e ser ético são alguns deles. Um dia, ele resolve mudar a vida (para melhor, pode-se dizer) e trocar sua cabeça (que deve ter algum defeito, certamente) por uma cabeça de papelão.
“O homem da cabeça de papelão” foi publicado no início da década de 1920 no livro Rosário da Ilusão, de autoria de João do Rio, pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, um dos principais cronistas do Rio de Janeiro. Esta edição foi modernizada pelo desenho de Caeto.

sábado, 3 de setembro de 2016

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

Alguns livros me causam um certo receio, um medo de que não funcione e de que a leitura esperada e ansiada resulte por fim em desalento e decepção. Foi assim com esse aqui, é assim com Coração de tinta, de Cornelia Funk, com A história sem fim, de Michael Ende, Como água para chocolate, de Laura Esquivel, só para citar alguns. De onde vem esse receio? Creio que é fruto de algumas experiências desalentadoras e frustrantes, mas quem não as tem?

Mas não foi o que aconteceu com esse A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick,  um livro que já havia visto e ouvido falar um tanto de vezes. Sempre despertava a minha curiosidade, e sempre vinha aquele medinho e eu pensava: vai ver que não é tudo isso. Imagina um livro contemporâneo que tem mais de dez mil leitores e cerca de 240 resenhas, isso só pode ser fruto de uma grande publicidade esse livro não pode ser tão bom,  penso eu na minha eterna descrença e desconfiança.


Mas o vídeo da Dani ( A bibliotecária leitora) me aguçou mais uma vez o interesse pelo livro. Eu já fiz duas leituras compartilhadas com a Dani, e foi uma experiência extremamente positiva e enriquecedora, quando resolvemos ler A biblioteca mágica de Bibbi Bokken e antes disso O mistério do Natal, ambos de Jostein Gaarder. E quando precisei trocar pontos a expirar em uma livraria "on line", resolvi pegar esse livro aqui que estava em promoção. E devo dizer que ele demorou menos de um mês na pilha. 

E foi uma leitura encantadora, me envolvi na história de tal maneira, como raras vezes tem acontecido. As ilustrações em preto e branco não apenas complementam a história, mas embelezam e enriquecem a leitura. E ao final descobrir que esse livro é uma homenagem tão bela prestada pelo autor fez com que a leitura tivesse um outro significado. Afinal vivemos um tempo de mais reclamações, ruminações e queixas do que de elogios e exaltações, uma pena. Ainda bem que temos vez por outra alguém que consegue ver o lado bom e positivo das coisas e das pessoas. ;)

Grifos: 
O velho na loja de brinquedos estava discutindo com a menina.
Mas a história começa, porque as histórias sempre levam a outras histórias.


Para saber mais:
Resenha: A invenção de Hugo Cabret, por Michelle 
Vídeo da Quézia
About Brian Selznick - The Invention of Hugo Cabret by Brian Selznick
Brian Selznick's Biography


Título:  A invenção de Hugo Cabret
Autor:  Brian Selznick
Editora:  Edições SM
Pág: 534
Leitura: 19 a 25/08/2016
Tema: Fantasia
Sinopse:  Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento da máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

QUARTO DE DESPEJO

Não posso dizer, como tanta gente, que nunca havia ouvido falar de Quarto de despejo, havia sim. Mas não sabia do que se tratava e confesso que não chamou a minha atenção. E quando virou modinha torci o bico como sempre faço.

Mas aí me surgiu um vídeo feito pela Camila Navarro no canal Viaggiando que fez com que eu corresse atrás do livro, ainda assim dei uma pesquisada nas estantes e comentários de amigos para certificar-me de que o livro era para mim. 

E num sábado de muita chuva e uma certa indisposição lá se vai eu à biblioteca que descubro que depois de três semanas continua fechada, sabe Deus porque. E então corro à Juracy Magalhães, onde encontro o livro. E naquele mesmo dia chuvoso eu começo a ler o livro da Carolina de Jesus. Não li tão rapidamente quanto gostaria porque esta foi uma semana bastante atribulada. 

Um livro impactante e necessário, e durante a semana em que o li todos os meus amigos e familiares tiveram que aguentar a falação sobre Carolina de Jesus. Penso que a última vez que fiz isto foi quando li Arroz de Palma, do Francisco de Azevedo (infelizmente, porque indica que já faz um bom tempo que não lia um livro que me tocasse tanto).
Não posso dizer que foi um tapa na cara, para mim tapa na cara é em 2016 eu ter medo de um menino de dez anos, quando cruzo com ele na rua. Ou quando passo pelo centro da cidade à noitinha voltando do trabalho e vejo pessoas revirando o lixo em busca de comida. 


VIDEO DA CAMILA NAVARRO 


Grifos:
Li um pouco. Não sei dormir sem ler. Gosto de manusear um livro. O livro é a melhor invenção do homem.
Senti o cheiro de álcool. Pensei ele está bêbado Um menino de 9 anos. O padrasto bebe, a mãe bebe e a avó bebe. E ele é quem vai comprar pinga. E vem bebendo pelo caminho.
O que eu fico admirada é das almas das favelas. Bebem porque estão alegres. E bebem porque estão tristes.
A única coisa que não existe na favela é solidariedade
Para saber mais:

Quarto de despejo: diário de uma favelada -  A escrita como válvula de escape
A escrita de Carolina Maria de Jesus: do quarto de despejo para o mundo


Título: Quarto de Despejo: diário de uma favelada
Autor: Carolina Maria de Jesus
Editora: Ática
Pág.  176
Leitura: 18 a 26/06/2015 
Tema: Autor brasileiro
Sinopse: A voz do povo: essa expressão figurada se torna concreta nas páginas de Quarto de despejo. Nesse livro, o cotidiano cruel dos favelados se apresenta por ele mesmo, nas suas próprias palavras. Com a linguagem simples de que dispõe, a autora conta o que viu e viveu, sem artifícios ou fantasias. Mas, ao mesmo tempo, com um estilo único que comove pela força de seu realismo e sensibilidade. Carolina de Jesus foi catadora de papel e viveu na favela do Canindé. É a condição humana dos miseráveis que traduziu em sua obra, um exemplo autêntico de literatura-verdade.